‘BORDER’ – Fantasias Reais

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‘BORDER’ – Fantasias Reais

Por | 2019-03-31T23:25:03+00:00 28 de março de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Fronteira (Gräns/Border)(Drama/Fantasia/Romance);Elenco:Eva Melander, Aero Milinnoff; Direção:Ali Abbasi; Suécia/Dinamarca, 2018. 110 Min.

Nos últimos anos o gênero de horror fantástico vem ganhando novo folego, mas isso graças ao fato dos seus realizadores colocarem os seus protagonistas em situações em que o horror não vem de uma casa mal-assombrada, mas sim do nosso próprio mundo real. Curiosamente, personagens clássicos como vampiros, ou lobisomens, tem ganhado uma nova roupagem em tempos contemporâneos e fazendo com que o público se identifique cada vez mais com esses seres incompreendidos e excluídos pelo resto do mundo.”Border” é um filme de fantasia sombria, porém, realista e que trata sobre a exclusão dos que são diferentes na visão de uma sociedade rígida por regras, porém, hipócritas.
Dirigido pelo iraniano Ali Abbasi, do filme “Shelley” (2016), a trama é baseada em um dos contos do escritor John Ajvide Lindgvist, o mesmo que escreveu “Deixe ela Entrar” e que posteriormente viria a ganhar uma adaptação em 2008. Tina (Eva Melander) é uma policial que trabalha no aeroporto e fiscalizando bagagens e passageiros. Depois de ser pega por um raio na infância, ela desenvolveu um sexto sentido incomum, fazendo com que seja capaz de “ler as pessoas” apenas pelos seus sentidos mais aguçados. Isso sempre representou uma vantagem em sua vida, mas tudo muda quando ela identifica um criminoso em potencial e não consegue achar provas para justificar sua intuição. Após o ocorrido, ela passa a questionar seu dom, ao mesmo tempo em que fica obcecada em descobrir qual o verdadeiro segredo de Vore (Eero Milonoff), seu único suspeito não legitimado.
Para aqueles que não assistiram ao trailer, ou até mesmo não leram nada a respeito, o filme surpreende pela sua apresentação. De um filme policial, a obra oscila pelo gênero de fantasia, horror e culminando numa obra um tanto que incomum. A verossimilhança, por exemplo, é algo muito bem inserido na trama, pois situações que poderiam soar Inverossímeis acabam se tornando convincentes com relação a proposta principal da obra.
Numa espécie de contos de fadas sombrio como pano de fundo, o filme se envereda em diversos temas atuais, que vai desde ao preconceito, imigração e a procura pelo seu lugar nesse mundo. Nesse caso, a protagonista da trama vive em um grande dilema, ao continuar com as suas responsabilidades como policial, ou abraçar a sua verdadeira natureza e que até então ela desconhecia. É nesse ponto que o filme ousa em cenas ousadas, porém, correspondendo desde o início com a imprevisibilidade imposta dentro da obra.
Mesmo com uma pesada maquiagem o desempenho da atriz Eva Melander se torna a verdadeira alma do filme. Sendo apresentada para nós como uma pessoa especial, porém, com muitos dons, Tina é uma figura enigmática, da qual ficamos nos perguntando sobre a sua origem e do porquê possuir um rosto incomum perante aos nossos olhos. As respostas vêm aos poucos com a figura de Vore, mas até lá várias teorias surgem em nossas cabeças, mas tudo culminando em soluções simples, porém, não menos chocantes.
Com um final em aberto com relação ao destino dos seus respectivos personagens, “Border” é um filme corajoso em sua proposta e provando que qualquer gênero pode sim ir muito mais além das suas fórmulas de sucesso do que se imagina.

Sobre o Autor:

Crítico de cinema do blog Cinema Cem Anos de Luz. Associado do Clube de Cinema de Porto Alegre. Já foi Colaborador das paginas A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura e do Jornal semanal Destaque de Esteio. Participante de 90 cursos de cinema e recentemente foi ministrante do curso Christopher Nolan: A Representação da Realidade pelo Cine Um de Porto Alegre.

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