Liga da Justiça

Liga da Justiça

Por | 2018-06-16T19:59:16+00:00 28 de novembro de 2017|Análise cinematográfica|0 Comentários

Liga da Justiça (Justice League) (Ação/Aventura/Fantasia); Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Jeremy Irons, Diane Lane, JK Simmons; Direção: Zack Snyder; USA/Reino Unido/Canadá, 2017. 120 Min.

Com uma bilheteria pífia em casa (EUA) ficando atrás de “O Homem de Aço”, “Batman vs Superman”, “Esquadrão Suicida” e “Mulher Maravilha”; “Liga da Justiça”, no Brasil, fez sucesso na primeira semana de exibição. Sendo um filme do Universo estendido da D.C e totalmente ancorado nas HQs de Gardner Fox, o grupo de justiceiros já foi/é animação e agora, depois de devidamente apresentados nos filmes individuais de seus heróis que vêm sendo exibidos desde 2013 em doses homeopáticas, chegou a hora de juntar todo mundo e apresentar  Cyborg e sua origem, Aquaman e Flash. E ainda, o motivo pelo qual foi necessária  a junção de forças: a morte do Superman e o enfrentamento do Lobo da Estepe  (Ciarán Hinds) e seu exército de parademônios na perseguição às caixas maternas. A questão é que, os links que conectaram Lex Luthor e a tecnologia alienígena – a das caixas maternas – dadas em “Batman vs Superman” ficaram no vácuo e só serão retomadas em “Liga da Justiça II”. Ou seja, todo limbo em que ficou boiando  “Batman vs Superman” esperando se conectar à  “Liga da Justiça”  foi em vão, porque “Liga da Justiça” entra em  outro limbo esperando por “Liga da Justiça II”. Além de pular etapas e inserir logo de cara as caixas maternas, com a desculpa de contar a origem de Cyborg. As caixas maternas, que são o nirvana da saga, são jogadas no meio da história, quando na ‘realidade’ seriam o final.  Quem acompanha as HQs sabe que caixa materna e o arco “Darkseid War” é muito mais do que um álibi para apresentar uma personagem. O que sobrou, então, para analisar? O quanto a visualidade, a tatibilidade, as atuações e as tecnicalidades se aproximam ou se distanciam do espectador/leitor de quadrinhos do Universo D.C, ou seja, analisar o trabalho da direção geral, da direção de fotografia e da direção de arte. Então, vamos lá!

A inspiração dos filmes da D.C são as HQs “Novos 52”. Nos quadrinhos, a Liga da Justiça aparece pela primeira vez em 1960 criada por Gardner Fox  em “The Brave and the Bold #28. Seu principal vilão é Darseid, criado por Jack Kirby em 1970. Depois que Ragnarok  dizimou as antigas divindades, os deuses se dividiram, os do bem são do planeta Nova Gênesis e, os do mal de Apokolips e vivem sob a égide da tirania de Darkseid. As caixas maternas são criadas por esses deuses da 4ª dimensão e são organismos tecnológicos vivos, autogestores, que têm consciência própria, dão poder a seus donos, os trata como filhos, recupera-os fisicamente, possibilita teletransporte, manipulação energética e tal. Esse contexto todo foi trazido para o contexto da Liga da Justiça para conectar Cyborg (Ray Fisher) à trama, que é um humano reconstituído pelo poder da caixa materna da humanidade. São três ao total: a amazona, entregue as guerreiras de Themyscira – galera da Mulher Maravilha (Gal Gadot) – a de Atlantis, sob a guarda de Aquaman (Jason Momoa) e a outra a humanidade sob os cuidados do cientista Silas Stone (Joe Morton) pai de Cyborg. A partir daí o Lobo da Estepe, tenta sequestrar as três caixas e a aventura se inicia apresentando as habilidades de cada um dos heróis, a origem de Cyborg e a cooptação de Flash (Ezra Miller) e muita ação.

A questão é que essa história é a maior  e mais poderosa do arco “Darkseid War”, ela seria uma espécie de história final e jamais história inicial. O espectador que vai comer pipoca e não tem conexão com as HQs vai sair feliz, mas quem é Nerd sai meio decepcionado. Dos três poderosos  deuses nepotistas de Apokolips, cuja personagem central é o todo poderoso Darkseid, temos: Lobo da estepe, tio de Darkseid e líder de um exército; Yuga Khan, o pai de Darkseid e Metron que é o mais desconectado da trinca e é um deus novo com capacidade de comunicação com outros povos e, que atravessa espaço e tempo. E que era uma excelente pedida para fazer a primeira aventura do universo estendido D.C; ou dar continuidade ao link do Lex Luthor com as tecnologias alienígenas. Zack Snyder (“O Homem de Aço”/ “Batman vs Superman”) tem estado a frente da maioria dos projetos da D.C para o cinema, e tem um excelente cabedal. Obviamente, sabe o que faz, mas as expectativas de quem conhece as histórias, infelizmente, são altas. Com histórias que têm personagens criados a tanto tempo e que fazem parte daquele universo de forma tradicional, é natural que as versões cinematográficas sejam uma compilação do que se consegue captar com maior ou menor competência, a essência das personagem, os arco de suas histórias, e dar diferentes importâncias a diferentes episódios, além do fator contemporanização.  Zack Snyder, Christopher Nolan (trilogia Batman), Martin Campbel (Lanterna Verde) e os diretores das animações da Liga da Justiça: Dave Billock (Liga da Justiça Nova Fronteira/2008); Sam Liu e Lauren Montgomery (Liga da Justiça: Crise em duas terras/2010 ; Liga da Justiça: A Legião do Mal/2012; Liga da Justiça: Deuses e Monstros/2015; Liga da Justiça Sombria/2017) Jay Oliva e Ethan Spauldin (Liga da Justiça: Trono de Atlantis/2015) são todos olhos e mentes que trouxeram para o publico suas visões contextualizadas desses heróis. Ou seja, não tem fórmula, tem criatividade, captação do que seja padrão na percepção do espectador e que possa ser aprofundado para continuar cativando público e angariando mais fãs e admiradores, quem faz isso com competência ganha audiência e bilheteria.

O que resta para analisar de “Liga da Justiça” de Zach Snyder é a fotografia eivada  de CGI, como era de se esperar, de Fabian Wagner de “Game of Thrones”, o design de produção, assinado por Patrick Tatopoulos de “Independence Day” (1996) e a participação sensacional de Ezra Miller de “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), como Flash. Atuação essa que desopila o fígado de tanta ação, dá um pouco de graça e puxa um pouco para o lado Marvel de ser. Mas, independente do vilão escolhido para dar o ponta-pé inicial à saga da Liga Justiça no cinema, se ninguém gritou Martha nem comeu sushi na frente do Aquaman, já está valendo.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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