‘Aos 14’- Adolecência Selvagem

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‘Aos 14’- Adolecência Selvagem

Por | 2019-05-02T00:24:23+00:00 2 de maio de 2019|Colunistas|0 Comentários

A transição da inocência para a vida adulta requer paciência e força perante os percalços que vão surgindo ao longo desse período da vida. Ao mesmo tempo, existe tanto um atrito entre pais e filhos, como também há uma luta para se encaixar entre os outros jovens que também lutam contra os seus demônios. “Aos 14” é um filme que facilmente nos identificamos, pois o que é visto na tela sempre soa familiar, pois já estivemos nessa Via Crúcis. 

Dirigido por Hélène Zimmer, do filme “Diário de uma Camareira” (2015), a trama se passa durante o último ano da escola secundária, onde conhecemos segredos, provocações e pesos internos de três adolescentes: Sarah (Athalia Routier), Louise (Najaa Bensaid) e Jade (Galatéa Bellugi). Passando por esse momento inevitável, as amigas lidam com o furacão adolescente de encontrar seu lugar no mundo e lidar com as mudanças inevitáveis. 

O filme se divide em quatro atos, mais precisamente sendo representado pelas estações do ano que vão surgindo no decorrer da trama. Com isso, testemunhamos gradualmente as mudanças de comportamento de seus respectivos personagens principais, as três amigas que vão passando por um turbilhão de mudanças radicais e das quais elas não podem domar. Os desafios vão desde a saber se encaixar nos grupos diversos dentro da escola, como também enfrentar os desejos sexuais que se encontram a flor da pele, mas que sempre haverá consequências a serem então enfrentadas.  

A cineasta Hélène Zimmer procura tratar diversos assuntos com total delicadeza, porém, não escondendo determinados momentos que causam certa tensão. No cenário do lar, por exemplo, há sempre aquela sensação de que tudo irá se desmoronar na cabeça das jovens protagonistas e fazendo a gente temer pelo futuro delas: a cena em que Sarah tenta a todo custo não permitir que os seus pais arrombem a porta do seu quarto sintetiza muito bem isso.  

Os conflitos familiares, além da montanha russa imposta dentro da escola, faz com os jovens vistos na tela se encontrem em total atrito uns com os outros em diversos momentos e que, em alguns casos, nem sabem porquê. Sarah, por exemplo, se encontra sempre na corda bamba e magoando até mesmo aqueles que um dia ela amava. Athalia Routier é sem dúvida a melhor interprete em cena, ao conseguir passar na tela todos os conflitos internos em que Sarah passa e fazendo com que, não tenhamos raiva dela, mas sim nascendo em nós uma angustia e o desejo para que ela consiga a sua redenção pessoal.  

As soluções no decorrer do filme vão aparecendo e das quais se tornam um refresco para aqueles que vão assistindo. Embora possa parecer um tanto que forçado essas soluções em alguns momentos, Athalia Routier procura não explicitar de que maneira elas foram surgindo, mas sim destacando não em palavras, mas sim nos gestos e nos olhares dos seus respectivos personagens. Portanto, os arrependimentos, além das reconciliações, vão acontecendo de uma forma sutil e sem nenhuma complicação.  

“Aos 14” é um delicado e singelo filme sobre o emaranhado emocional que os jovens enfrentam nas suas transições para os novos desafios em suas cruzadas pessoais.    

Nota: Filme exibido para os associados do Clube de Cinema de Porto Alegre no último dia 27/04/18. Quer ser membro do Clube e assistir a diversos filmes? Mais informações você obtém pelas redes sociais Facebook: Clube de Cinema de Porto Alegre ou twitter: @ccpa1948. 

Sobre o Autor:

Crítico de cinema do blog Cinema Cem Anos de Luz. Associado do Clube de Cinema de Porto Alegre. Já foi Colaborador das paginas A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura e do Jornal semanal Destaque de Esteio. Participante de 90 cursos de cinema e recentemente foi ministrante do curso Christopher Nolan: A Representação da Realidade pelo Cine Um de Porto Alegre.

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