‘La Cama’ – Reconhecer o Inevitável

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‘La Cama’ – Reconhecer o Inevitável

Por | 2019-05-08T23:26:13+00:00 8 de maio de 2019|Colunistas|0 Comentários

É comum irmos ao cinema e sempre nos depararmos com tramas que nos dá a sensação que já tínhamos assistido anteriormente. No recente filme argentino “Um Amor Inesperado” (2018), a obra é pertencente à típica comédia romântica e que, embora tenha certo amadurecimento dentro gênero, possui todos os ingredientes para que nos faça saber antecipadamente o que irá acontecer. Já não é o caso de “La Cama” que, embora possua um fio narrativo similar, a forma como a obra é apresentada lhe torna imprevisível perante aos nossos olhos, mesmo quando ela possua certo limite em sua proposta principal.
Dirigido pela cineasta Mónica Lairana, a trama acompanha a história do casal Jorge (Aleja Mango) e Mabel (Sandra Sandrini) e que ambos se encontram em idade avançada. Após um uma relação sexual fracassada, logo nos damos conta que eles estão em fase de separação e que, aparentemente, não há possibilidade de volta. Aos poucos, são revelados a história desse casal, através de fotografias e objetos que possuem certo significado.
O início da trama já começa provocante, já que Mónica Lairana filma uma sequência, sem cortes aliás, em que testemunhamos a relação sexual do casal. Logo percebemos que a situação se revela um verdadeiro sacrifício para ambos os protagonistas, pois dá a entender que o fogo da relação acabou e que nada mais pode ser feito. Podemos observar que há um lado intimo entre a realizadora e seus interpretes, já que esses últimos não se intimidam na frente da câmera e realizando a cena de uma forma crua e realista.
Dali em diante, há uma construção gradual da apresentação de quem são estes dois, através do ambiente, dos moveis e dos pequenos objetos que moldam aquela casa. Não há, por exemplo, muitos diálogos entre os dois, mas não somente pelo fato de que o amor acabou, mas para também fortalecer o poder do movimento da câmera e nos dizer o que acontece em cena. Contudo, a fotografia faz com que nós mesmos nos cobremos uma atenção redobrada, já que ela escura, granulada e dificultando a percepção de certos detalhes e que podem possuir peso significativo para história.
Em contrapartida, os interpretes é que carregam o filme nas contas do começo ao fim, pois ambos possuem, tanto uma vigorosa disposição, como também uma total desinibição em cenas em que poucos se arriscariam em fazer. Além disso, isso não ocorre somente na cama que dá o título a obra, mas também em situações rotineiras dentro da casa, principalmente nos momentos em que um deles se prepara para abandonar aquele ambiente cheio de história. O problema principal do filme, na minha analise pessoal, é que ele se alonga por demais em algumas situações e sua proposta principal claramente poderia ter sido resumida em um média metragem tranquilamente.
Resumidamente, “La Cama” vai mais além do que deveria em sua real proposta e fazendo com que a obra perca um pouco de sua verdadeira força.

Sobre o Autor:

Crítico de cinema do blog Cinema Cem Anos de Luz. Associado do Clube de Cinema de Porto Alegre. Já foi Colaborador das paginas A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura e do Jornal semanal Destaque de Esteio. Participante de 90 cursos de cinema e recentemente foi ministrante do curso Christopher Nolan: A Representação da Realidade pelo Cine Um de Porto Alegre.

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