‘A Casa de Veraneio’ metáfora da desconexão com o mundo

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‘A Casa de Veraneio’ metáfora da desconexão com o mundo

Por | 2019-03-17T15:21:26+00:00 17 de março de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Casa de Veraneio (The Summer House)(Comédia/Drama);Elenco:Valéria Bruni Tedeschi, Riccardo Scamarcio, Noemie Lvovsky;Direção:Valeria Bruni Tedeschi; França/Itália, 2018. 127 Min.

“Casa de Veraneio” é uma metáfora da confusão psicológica e emocional de uma cineasta que está em processo de criação e um novo filme e de separação de seu namorado. Os dois aspectos se misturam – como é natural – e a leitura de expurgação disso por parte da personagem é uma viagem insane pelas suas dores, divagações e desequilíbrios nos remetendo a “Uma Mulher Sob Influência” (1974) de John Cassavetes.

Anna (Valeria Bruni Tedeschi) está se divorciando, escrevendo o roteiro de um filme e tentando captar recursos para sua realização. O filme é sobre seu irmão, mas acaba sendo uma autobiografia desconcertante. A imprevisibilidade dos aspectos do cotidiano dentro desse contexto é posta como eixo condutor da história que se torna, propositalmente, um emaranhado sem sentido como a vida de fato o é. E mais, a posição na qual o espectador é posto é a da personagem de Anna com todos os pontos cegos. Não há olho de deus pairando sobre a história para nos dar vislumbres de sua condução, não há conexão de aspectos. Tudo só faz sentido no final. Isso promove um desconforto que é o mesmo que a personagem sente em relação ao mundo. E Por essa tática o quarteto de mulheres responsáveis pela realização do filme mandou bem.

Valeria Bruni Tedeschi de “Fique Comigo” (2016) dirigiu, roteirizou e estrelou o filme. Escrito a oito mãos femininas, Noemie LvoVsky de “Um Castelo na Itália” (2013) que faz o papel de Nathalie, que na verdade é seu próprio papel como roteirista do filme que está sendo produzido; Agnès de Sacy de “Um Novo Caminho” (2009) e; Caroline Deruas-Garrel de “Amante por Um Dia” (2017), “A Casa de veraneio” é a personificação da alma feminina com todas as suas inseguranças e oscilações de humor e de perspectivas e numa família, eminentemente, de mulheres. Além da atuação tresloucada de Tedeschi o que se destaca é a fotografia de Jeanne Lapoine de “120 Batimentos Por Minuto” (2017).

“The Summer House” (no original) é um filme que relata e metaforiza a desestrutura emocional e psicológica na busca por caminhos e a expurgação disso através de um processo criativo.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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