Beijei Uma Garota

Beijei Uma Garota

Por | 2018-06-17T00:01:30+00:00 5 de agosto de 2015|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Beijei Uma Garota (Toute Première Fois). (Comédia); Elenco: Pio Marmaï, Frank Gastambide, Adriana Gradziel, Lannick Gautry, Camille Cottin; Direção: Máxime Govare, Noémie Saglio: França, 2015. 98 Min

Comédias sempre são bem vindas quando o objetivo é relaxar, e o cinema francês, este ano, tem nos brindados com títulos inusitados que trazem atravessamentos delicados com muita leveza. Em “Beijei Uma Garota” as diretoras Maxime Govare e  Noémie Saglio trazem  a orientação sexual como coluna vertebral das argumentações sem usar de preconceito, com diálogos muito bem escritos e tirando um sarro das normatizações de gênero.

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Jeremy Deprez (Pio Marmaï) é administrador de empresas e gay assumido, vive com seu companheiro Antoine (Lannick Gautry), um pacato médico; tem como sócio o amigo de infância Charles (Frank Gastambide), um bon vivan afeito a relacionamentos frívolos e como tesoureira Clémence (Camille Cottin) uma mulher durona, disciplinada e desaforada, no melhor estilo antes só… Um belo dia, Jeremy,  tem uma noite de amor com Adna (Adrianna Gradziel), e se apaixona – Jeremy nunca havia estado com uma mulher antes – a partir daí a história se desenrola com muitas encrencas, desculpas esfarrapadas, mentiras para todos os lados,  cheia de situações cotidianas banais, que no contexto da contramão da orientação sexual de Jeremy, se enchem de sentidos duais, contraditórios, paradoxais e, por conseguinte, exponencialmente engraçados. As dúvidas e intervenções de Charles são o crème de la crème da comédia.

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“Beijei Uma Garota” aborda o amor para além das normatizações de gênero, na contramão da história, misturando as questões às diferenças de personalidades dos indivíduos representados, de contextos culturais, de expectativas sobre status de relacionamento, e desconstrói muros e barreiras ao inverso, quando a família que aceitaria um casamento gay, se revolta quando a relação é hétero. E nas entrelinhas aponta as dicotomias humanas inerente à condição de ser humano e não  pela infração das normatizações.

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Maxime Govare é oriunda de filmes de TV e minisséries e Noémie Saglio tem um longa no currículo “Conasse Pincesse des couers” (2015), e além de dirigirem também roteirizaram a história, que é a menina dos olhos da película. Sem a necessidade de fazer dela um compêndio filosófico, a abordagem foi sensacional.   Mas quem segurou a história até o fim, divinamente, foram Pio Marmaï e  Frank Gastambide que estão impagáveis. O filme ganhou o grande prêmio do festival de L’alp d’Huez e melhor ator para Pio Marmaï. Lembrando que este festival é o único festival de filmes de comédia da França.

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Pois é, Maxime e Noémie provaram que é  rindo muito e fazendo brincadeiras, que se diz algumas verdades num território delicado como é o da  sexualidade. Por conta disso (o tema e a abordagem) a classificação etária sobe para 14 anos. Impagável!

Sobre o Autor:

Amante da sétima arte e escritora por hobby

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