‘Cachorros’ o enterro dos ossos da ditadura chilena

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‘Cachorros’ o enterro dos ossos da ditadura chilena

Por | 2018-07-16T03:46:05+00:00 16 de julho de 2018|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Cachorros (Los Perros) (Drama); Elenco: Antonia Zegers, Alfredo Castro; Direção: Marcela Said; Chile/França/Argentina/Portugal/Alemanha/Suíça, 2017. 94 Min.

Marcela Said é uma documentarista e cineasta chilena que gosta de colocar o dedo nas feridas de seu país. Em 2001 dirige o documentário “I Love Pinochet” no qual foca seu viés nos apoiadores do ditador com uma abordagem crítica. Em 2006 dirige “Opus Dei – Uma Cruzada Silenciosa” no qual mostra a influência da prelazia no Chile. Seu filme seguinte é “El Mocito” (2011) que conta a história de um homem que trabalhou no centro de tortura durante o regime militar chileno. Agora, ela conta uma história sobre os resquícios desse regime no contexto da nova geração – a pós-regime militar – o longa nos remete aos filmes “NO” (2012) do, também chileno, Pablo Larrain; “O Botão de Pérola” (2015) de Patrício Guzmán e;  “Koblic” (2016) de Sebastian Norensztein.

Mariana (Antonia Zergers) é filha de um mega empresário chileno, casada com um arquiteto argentino e aluna de equitação de um ex-coronel da ditadura de Pinochet, Juan (AlfredoCastro) , que tem um passado conturbado e está sendo investigado. Alienada e alheia à política, um exemplar típico da burguesia, Mariana brinca com fogo ao procurar saber da vida de seus instrutor e buscar informações confidenciais. Descobrindo, inclusive, o envolvimento de seu pai com os esquemas do regime ditatorial. O que Marcela Said, possivelmente, propõe, como roteirista e diretora do longa, seja mostrar o quanto esse período ainda traz de consequências para o nosso cotidiano, o quanto a impunidade é presente e o quanto o nível de politização da geração atual é fraco e carente de subsídios históricos para manutenção de memória. Além de pintar um mosaico da sordidez humana.

O longa foi premiado mundialmente com: melhor roteiro no Cairo International Film Festival; melhor filme no Kolkata International Film Festival; Menção honrosa no Munich Film Festival; Prêmio Horizontes no San Sebástian; melhor atriz para Antonia Zegers no Stockholm Film Festival e melhor ator para Alfredo Castro no The Platino Awards for Iberoamerican Cinema. Com uma chamada metafórica através do quadro ‘Laura Y los Perros‘ do artista plástico chileno  Guilhermo Lorca, “Cachorros” coloca a nobreza e a ingenuidade em meio à sordidez humana. Com uma abordagem subjetiva que sugere a violência ao invés de mostra-la, a mais recente obra de Marcela Said vale o quanto pesa.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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