‘Contrapor’ um painel socio-cultural e político de Ghana através da música

>>‘Contrapor’ um painel socio-cultural e político de Ghana através da música

‘Contrapor’ um painel socio-cultural e político de Ghana através da música

Por | 2020-08-26T03:01:35+00:00 26 de agosto de 2020|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Contrapor (Contradict) (Documentário/Musica); Elenco: Adomaa, Akan, Mutombo da Poet, Mensa, Wanlov de Kubulo, Wortasi; Direção: Thomas Burkhalter e Peter Guyer, Suíça, 2020. 89 Min.

“O futuro da África deveria ser mais sons e menos palavras (….) quanto mais quietos ficamos podemos ouvir a nós mesmos de novo…é como encontrar nosso compasso”

“Contradict” (no original) é um documentário suíço dirigido por Peter Guyer e Thomas Buckhalter que, através de entrevistas e acompanhamento do trabalho de músicos populares de Ghana, produtores culturais e apresentadores de rádio sobre a realidade política do país com muita ironia e com ingredientes da cultura americana como o Rap. E a partir daí se traça um painel da dependência econômica de Ghana dos EUA; sobre o não patriotismo e defesa de valores culturais do país; sobre a falta de noção política e da manipulação religiosa.

Os atores da obra são os nomes conhecidos da música popular ganense, rappers que através de suas conversas, de intervenções artísticas públicas irônica, com filmagens de processos de produção de clips e composição de músicas. Os diretores também entrevistaram pastores de congregações religiosas e atores da política, como a ministra da pasta de gênero.

O viés do roteiro é o ativismo artístico que traz uma nova perspectiva e visão de futuro para a África. Atestando a realidade (uma ministra criacionista, a manipulação religiosa, a pobreza, a falta de infraestrututra, os signos da colonização americana) e contrapondo-se a ela de maneira construtiva pela subversão do discurso hegemônico (revertendo o raciocínio de inferioridade racial, da dependência econômica, e da classificação de cidadãos de segunda categoria do mundo) trazendo uma crítica contundente e inteligente do império americano. A agulha que costura essas questões é a arte.

Peter Guyer diretor dos documentários “Sounds and Silence” (2009) e “Big Mac Small World” (2002) e o estreante como diretor Thomas Buckhalter apresentaram uma leitura política feita pelos próprios moradores com sua visão de dentro da realidade local, usando a música e o audiovisual para fazer um discurso politizado sobre a necessidade de politização do próprio povo. “Contrapor” é uma obra cinematográfica que seleciona público pela abordagem e pelo contexto ativista. É para quem gosta de política, de arte e estratégias do cotidiano para driblar o poder instituído. O longa é magistral e vale a pena ser conferido.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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