‘Depois do casamento’ e a manipulação da vida

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‘Depois do casamento’ e a manipulação da vida

Por | 2019-09-17T23:20:41+00:00 17 de setembro de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Depois do Casamento (After the Wedding) (Drama); Elenco: Michelle Williams, Julianne Moore, Billy Crudup, Abby Quinn; Direção: Bart Freundlich, 2019. 112 Min.

Enfim, um título na versão brasileira que é compatível com o roteiro, o viés de abordagem e o original. O longa dirigido pelo americano Bart Freundlich é um remake da versão homônima de 2006 que foi dirigido por Susanne Bier – que faz o roteiro do remake – juntamente com Anders Thomas Jensen de “A Torre Negra” (2017). “Depois do Casamento” versa sobre os descaminhos da vida, as coincidências, as manipulações para o bem ou para o mal com muitas camadas ( amor maternal, amor filial, vida em família, trabalho, vida e morte) e sua administração lúcida.

Isabel (Michelle Williams) é uma mulher silenciosa, triste, espiritualizada que administra um orfanato na índia. Um dia recebe uma proposta para ir a New York para o recebimento de uma doação respeitável. Reticente Isabel aceita e conhece Theresa (Julianne Moore) a benfazeja doadora. Porém, todas as burocracias referentes à transação têm que esperar o casamento de sua filha Grce (Abby Quinn). Neste dia Isabel descobre um fato importante que mexe com a vida de todos. A partir daí a história se desenrola com uma variedade de camadas referentes às subjetividades dos indivíduos envolvidos de forma enxuta, sem vitimismos, sem melancolia com um viés inteligente e lúcido, sem pieguices.

O forte do longa são as atuações de Julianne Moore e Michelle Williams. Como a obra é um remake da versão dinamarquesa que, inclusive concorreu ao Oscar na categoria de filme estrangeiro – o roteiro já tem um selo de qualidade, logo não entra na conta. As diferenças postas merecem destaque. A versão de Barth Freundlich coloca duas mulheres como protagonistas, quando na primeira versão eram dois homens. Com as benção da diretora da versão original que faz parte da equipe de produção como roteirista a versão americana manteve a grandiosidade da história e adaptou as subjetividades pertinentes à diferença de gênero.

Barth Freundlich tem um talento especial para filmes familiares e sobre seus cotidianos. Fex um bom trabalho em família, literalmente (é marido de Julianne Moore) e desenvolve bem os diferentes pontos de vista sobre os conceitos de abandono, de vida e de morte de tal forma que merece destaque pela subjetividade dos temas. No mais, é um filme para deleite com a história, as atuações, a fotografia e o figurino. Vale o ingresso!

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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