Dolores – Uma Mulher, Dois Amores

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Dolores – Uma Mulher, Dois Amores

Por | 2018-06-17T00:50:39+00:00 13 de abril de 2017|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Dolores: Uma Mulher, Dois Amores (Dolores) (Drama/História/Romance); Elenco: Emilia Attias, Roberto Birindelli, Guilhermo Pfening, Jandir Ferrari, Mara Bestelli; Direção: Juan Dickinson; Argentina/Brasil, 2016. 90 Min.

Produção argentina em parceria com o Brasil “Dolores: Uma Mulher, Dois Amores” conta a história de uma mulher à frente de seu tempo. Contextualizada na década de 40, em plena Segunda Guerra mundial, com os pés fincados nos pampas argentinos e a alma em suas ascendências de origem, o longa dirigido por Juan Dickinson faz analogia da guerra com o esfacelamento pessoal da família Hillary. E ainda situa historicamente o período anterior ao peronismo naquele país.

Dolores (Emília Dickinson) volta a Argentina para se solidarizar à família pela morte de sua irmã e dar apoio ao sobrinho de 9 anos. Nesse ínterim, se apaixona pelo cunhado, resolve querelas financeiras e se encanta por outro homem, Otávio (Roberto Birindelli). A época é o início da década de 40, o contexto: uma sociedade rural e moralista. O longa é um passeio de memória do sobrinho e que traz memórias históricas da Argentina para o seu viés. As atuações são tímidas e contidas, e é proposital, pois o primeiro nipe de atores são experientes e atuam em teatro, cinema e televisão. Logo, a distância, a sisudez, o insípido do gesto é da época e faz parte da história numa metáfora, possivelmente, relativa ao tempo histórico.

a história é do diretor Juan Dickinson, o roteiro dela ficou por conta de Roberto Scheuer de “Sotto Voce” (1996). A trilha sonora é do nosso Léo Gandelman e se destaca. Mas o que merece um olhar mais demorado é a direção de arte de Lucia Saravia, Danilo Furlano e  Merlinda Molina que são os responsáveis pelo transporte no tempo. Nos põe direto na década de 40 sem escalas.

“Dolores: Uma Mulher, Dois Amores” é tímido em sua transmissão. Seja por causa do período, seja pela opção classuda de abordagem, que está muito bem desenhado no figurino citadino e europeu, mesmo que a história se passe no campo. “Dolores” (no original) é um filme para poucos olhos e seleciona público em suas conexões comportamentais e históricas. Em suma, mais uma produção Brasil/Argentina, só que, em espanhol e esbanjando classe e sofisticação.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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