“Encantado” e a desconstrução de estereótipos

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“Encantado” e a desconstrução de estereótipos

Por | 2018-12-05T23:13:16+00:00 5 de dezembro de 2018|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Encantado (Charming) (Animação/Aventura/Comédia); Elenco: Demi Lovato, Wilmer Valderrama, Avril Lavigne; Direção: Ross Venokur; USA/Canadá, 2018. 90 Min.

Nos contos de fadas o foco da história e o imaginário é o das princesas. O príncipe é o  acessório coadjuvante que faz a engrenagem funcionar. Mas, ninguém se pergunta sobre os príncipes: quem são? Quais eram suas realidades e origens? O cineasta canadense Ross Venokur lança seu olhar sob a perspectiva do príncipe e faz bonito quando resume todos os príncipes dos contos de fadas (Cinderela, Branca de Neve e Bela adormecida) em um só, numa história muito engraçada que desconstrói estereótipos sociais e dos próprios contos de fadas. Como em “Caminhos da Floresta” (2014) que mistura os contos e desmistifica alguns complexos escondidos nas relações, mudando o ângulo de visão dos gênero literário, o cineasta também o faz em “Encantado”e sobra até para Rapunzel.

Philippe (Wilmer Valderrama/Leonardo Cidade) é um príncipe vítima de um encanto desde que nasceu. Isso o torna um imã de sedução e faz com que  todas as meninas que o vejam se apaixonem por ele. Para que o feitiço seja quebrado ele terá que encontrar o amor de sua vida. Lenny (Demi Lovato/Larissa Manoela) é uma menina desprotegida que vive no mundo real, precisa ser objetiva para sobreviver, é independente e tem ideias próprias. Encontra o príncipe e nem se abala. É a partir desse argumento que todas as desconstruções de estereótipos se dão. Desde os clichês dos contos de fadas até os de ordem social, comportamental e de valores.

“Charming” (no original) é uma animação simples, planificada, cujo diretor e roteirista, Ross Venokur, que está em sua estreia em longa metragem, desconstrói todos os arquétipos: o de príncipe sobre um cavalo branco, o de fragilidade feminina, o de perfeição das princesas, entre outros. Mas, é feliz em seu argumento e criação de enredo. Tem conteúdo crítico, piadas procedentes, cores vivas que prendem a atenção dos menores e descansos de atenção que facilitam o entendimento da história e eliminam a possibilidade de tédio para os mais novinhos.

Que já não se faz animação como antigamente, a gente já sabe. O que nos falta entender é que não precisa de alta tecnologia, de pirotecnias computacionais ou de larga experiência no nicho para se contar bem uma boa história. A classificação etária é a partir dos 6 anos, mas é voltada para todo e qualquer público e vale o ingresso. Inteligente e divertido!

 

Sobre o Autor:

Amante da sétima arte e escritora por hobby

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