‘Encontros’ – relatos do cotidiano

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‘Encontros’ – relatos do cotidiano

Por | 2019-10-02T18:35:48+00:00 2 de outubro de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

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Não há nada mais simples, corriqueiro e rico que os cotidianos das pessoas. Aquilo que achamos ser igual para todos – a vida – e que muda pela forma com a qual vemos o mundo e administramos o que nos acontece. O longa é uma terapia assistida e uma cura por tabela através da comparação e da reflexão. “Deux Moi” ( no original) – ‘Dois Eu” em tradução livre – recebeu o título “Encontros” na versão brasileira. Dirigido por Cédric Klapisch, um bom observador e contador de histórias nas relações humanas, o longa é um relato de cotidianos opostos e um primor sobre as meias coincidências.

Rémy (François Civil) é um jovem com um emprego comum que teme ser substituído por robôs e computadores no mercado de trabalho e que não consegue dormir. Mélanie (Ana Girardot) é uma pesquisadora solitária, jovem e que dorme demais. Moram, ambos, em prédios vizinhos e têm suas vidas conectadas por lugares, posturas diante de vida, estados de espírito em comum. A farmácia, a mercearia, a terapia e a dor da vida são os espaços reais e subjetivos em que os dois se interseccionan. A premissa é fantástica: opostos iguais. E o viés da abordagem é a forma com a qual cada um vê a vida. Nesse sentido, a melhor versão do título da obra é a americana “Someone, somewhere” que traduz de forma poética a saga de duas pessoas que não se conhecem e que se completam em suas questões. Tudo isso sem usar a premissa clichê de alma gêmea

Cédric Klapisch é um diretor francês que versa com maestria sobre relações humanas. Conhecido por “O Enigma Chinês” (2013), dentre outros, Kaplisch aborda, juntamente com Santiago Amigorena de “Another Silence” (2011) o mal estar no/do mundo através de dois personagens cujos atores François Civil de “Frank” (2014) e Ana Girardot de “Na próxima, acerto o coração” (2014) se encaixam competentemente com atuações contidas que dimensionam os dramas dos personagens e desenham bem suas oposições e intersecções. A trilha sonora de Loïc Dury de “Sexo, Amor e Terapia” (2014) e Christopher Minck de “Paris” (2018) completam a viagem de coloca o espectador na condição de terapeuta ou de paciente (como quiser) questionando ou refletindo a cerca dos pontos cegos de nossa existência enquanto estamos ocupados em nossas próprias bolhas.

“Encontros” é uma gostosa viagem pelos cotidianos de pessoas comuns, problemas comuns e vidas comuns com muita graça. Um belíssimo exemplar do cinema francês.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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