Jota: Para Além do Flamenco

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Jota: Para Além do Flamenco

Por | 2016-10-10T12:05:48+00:00 10 de outubro de 2016|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Jota: Para Além do Flamenco (Jota de Saura) (Musical); Participações: Sara Baras, Ara Malikian, Giovanni Sollima; Direção: Carlos Saura; Espanha, 2016. 90 Min. #FestivalDoRio2016

Carlos Saura é um cineasta, fotógrafo e autor de novelas, nascido em Aragon, na Espanha, em 1932. Sempre voltado para o mundo da música e da dança associado às atuações, Saura tem no currículo “Sevilhanas” (1992), “Flamenco” (1995) e “Fados” (2007). Premiado com um BAFTA por “Carmen” (1983) tem como obra-prima (opinião pessoal) “Bodas de Sangue” (1981). Dessa vez Saura se aventura pela dança tradicional de sua terra natal, La Jota. O cineasta faz uma jornada no tempo e  na História pelas regiões da Espanha em que o ritmo se manifesta como atividade cultural e suas diferentes nuances.

Se em “Bodas de Sangue” o corpo contava a história de um amor amaldiçoado através dos movimentos da dança, sem diálogos e narrativa oral, em “Jota de Saura” (no original) a história é sobre a dança Jota. Longa vai das origens com sua cantoria árabe (possivelmente, resquícios das cruzadas)  aos tempos modernos com nuances de jazz. O ritmo passeia pela história da Espanha pontuando a ditadura franquista, caminha pelas regiões de Aragon à Galícia. E tem participações de grandes nomes da música, do canto e da dança espanholas, como: A dançarina de flamenco Sara Baras, o violinista Ara Malikian, a cantora Carmen París, Nacho Del Rio e Miguel Ángel Berna, fundador da companhia ‘Dança Viva’ que implantou escolas de dança de Madri a Nova York, entre outros nomes.

O musical é show cujo cuidado foi da direção ao figurino. Carlos Saura além de dirigir, roteirizou e fez a direção de arte (impecável!). A edição ficou por conta de seu filho Carlos Saura Medrano, a fotografia é de Paco Belda conhecido por “Mariposa Negra” (2006). As músicas ficaram sob a batuta do italiano  Giovanni Sollima e Alberto Artigas. “Jota; Para Além do Flamenco” é a prova de que  Carlos Saura, do alto de seus 84 anos, não perdeu o ritmo nem o compasso.

O longa-metragem é uma manutenção de memória cultural da dança tradicional aragonesa com uma pitada de devoção e homenagem. É um compêndio do que foi a dança na história daquelas regiões e o quanto ela carrega de história daqueles lugares em seu ritmo, letras e movimentos. “Jota: Para Além do Flamenco” é um espetáculo de 90 min de dança dentro da sala escura para ser aplaudido ao final. Não esquecendo que o filme seleciona público, é para aqueles ligados ao mundo da música e da dança.

  • Mostra Panorama do Cinema Mundial

 

Sobre o Autor:

Amante da sétima arte e escritora por hobby

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