Lady Bird: É Hora de Voar

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Lady Bird: É Hora de Voar

Por | 2018-06-16T19:53:10+00:00 13 de fevereiro de 2018|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird) (Comédia/Drama); Elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Lois Smith; Direção: Greta Gerwig; USA, 2017. 94 Min.

Quinta mulher a disputar o Oscar de direção em 90 anos de edição da maior premiação do cinema mundial, Greta Gerwig tem em “Lady Bird: É Hora de Voar” seu longa-metragem de estreia como diretora sozinha, já havia dirigido “Nights and Weekend” (2008) em parceira com Joe Swanberg. Conhecida pelo seu trabalho como roteirista e atriz, Gerwig tem no currículo filmes como: “Hannah Sobe as Escadas” (2007), “Frances Ha” (2012) e “Mistress America” (2015). Nesta edição da premiação, seu longa concorre em cinco categorias: filme, atriz principal para Saoirse Ronan, atriz coadjuvante para Laurie Metcalf, direção e roteiro original. Já abocanhou 83 prêmios mundo afora, dentre eles, o Globo de Ouro de melhor filme de comédia ou musical e melhor atriz  de filmes de comédia ou musical para Saoirse Ronan, além de outras 180 indicações. Quanto a premiação de melhor direção no Oscar 2018, Greta Gerwig vai disputar com Christopher Nolan (Dunkirk), Jordan Peele (Corra!), Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma) e Guilhermo Del Toro (A Forma da Água).

“Lady Bird” (no original) conta a história de um ano na vida de Christine/Lady Bird (Saoirse Ronan), o da decisão de qual faculdade fazer, o da primeira vez no sexo, o do desmame para a vida adulta, e que vive em Sacramento, na Califórnia, do ‘lado errado dos trilhos’. Os aspectos cotidianos que são pinçados para dar vida a esse mosaico são as relações familiares, as relações com os colegas de escola, os sonhos, as insatisfações do dia-a-dia, a vergonha do lugar onde mora, o da força necessária para impor uma nova identidade que vai se criando aos poucos. O que há de louvável no longa é a ambientação de toda essa gama de acontecimentos em meio às artes cênicas como palco para a história, e isso traz fluidez para os diálogos, além de ser um leque de possibilidades de influências  e reflexões sobre a realidade da juventude e seus cotidianos. Mas, é mais um filme competente de sessão de tarde com uma história comum e uma abordagem comum. Sabemos que numa premiação não cabe todo mundo, mas ver filmes como “Bom Comportamento” (2017), com atuações brilhantes e um roteiro genial ser ignorado, é triste. Ou ainda, “O Estranho que Nós Amamos” (2017) premiado em Cannes e cuja direção também é de uma mulher, com uma produção sem igual e atuações igualmente competentes ficar de fora, chega a ser injusto.

Greta Gerwig é uma californiana de Sacramento e “Lady Bird” é quase uma biografia, mostrando que no fim a história deu certo. Roteirista de “Frances Ha” (2012), conhecida por atuações em “Jackie” (2016) e “Mistress América” (2015), a americana tem uma pegada Woody Allen light, sem a erudição comum ao cineasta. Com referências em “Infância Nua” (1968), “Três é Demais” (1998) e “Caminhos da Floresta” (2014) “Lady Bird: É Hora de Voar” é hilário e tem um linguajar coloquial. Quanto aos aspectos técnicos tem uma trilha sonora rica assinada por Jon Brian de “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (2004) e uma fotografia vívida de Sam Levy de “Mistress América” (2015). Mas, o forte é o roteiro e como as costuras dos aspectos foi feita dentro das situações expostas. Mesmo sendo elaborado com zelo em relação a abordagem de aspectos cotidianos não chega aos pés de “Paterson” (2016), por exemplo, que também versa sobre o assunto: a influência do cotidiano nas decisões de um indivíduo.

Leve, esperançoso e empreendedor o longa-metragem poderia ser substituído facilmente no Oscar por “Personal Shopper” (2017) ou “Mãe!” (2017) que foram solenemente esnobados. No mais, é um filme para ver, rir, se emocionar e só. É descanso para o cérebro e alimento para a alma. Mas, como filme é mediano.

Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos em relação a indícios de mentalidades, nível tecnológico e momento histórico.

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