Lou

Por | 2018-01-27T12:18:36+00:00 27 de janeiro de 2018|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Lou (Lou Andreas-Salomé) (Biografia/Drama/Romance); Elenco: Katharina Lorenz, Nicole Heesteres, Liv Lisa Fries, Helena Pieske, Philip HauB, Alexander Scheer; Direção: Cordula Kablitz-Post; Alemanha/Áustria/Itália/Suíça, 2017. 113 Min.

“Se você quer uma vida, aprenda a roubá-la. Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer” (Lou Andreas-Salomé)

Uma mulher à frente de seu tempo. Uma mulher muito bem cercada por intelectuais de sua época. Uma mulher que ousou fazer curso superior quando só havia uma universidade no mundo que admitia mulheres. Uma mulher que não enxergava no casamento ou na maternidade um destino natural. Uma mulher em meio a homens, que se posicionava de igual para igual, e que por sua ‘inusitariedade’  era por eles admirada e, é óbvio, incompreendida. Russa de nascimento, filósofa, escritora, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista, Lou Andreaas-Salomé foi tudo isso em pleno século XIX. E a cineasta Cordula Kablitz-Post compôs um mosaico de suas potencialidades e relações em “Lou”.

Kablitz-Post é diretora de Televisão e afeita a documentários. Mas, juntamente com a roteirista Susanne Herbel contam a história de vida dessa mulher extraordinária, com ares de documentário e ficção. A dupla não pôde se furtar de ter no enredo as interpretações de grandes personalidades do mundo da intelectualidade, como: Friedrich Nietzsche (Alexander Scheer); Paul Rée (Philip TauB); Rainer Maria Rilke (Julius Feldmeier) que eram das relações de Lou Andreas-Salomé. E mesmo assim, o centro das atenções, da trama e das luzes dos holofotes são, procedentemente, para Lou. Feito de forma magistral com 4 atrizes interpretando as fases da vida de Lou: Helena Pieske (6 anos); Liv Lisa Fries (16); Katharina Lorenz (21-50) e Nicole Heesters (72) o longa não decepciona. O Destaque vai para Katharina Lorenz que interpreta a fase mais profícua da filósofa. A atriz é mais conhecida na Alemanha por produções locais. Já Alexander Scheer é conhecido internacionalmente por: “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” (2017) e “O Jovem Karl Marx” (2017).

O forte de “Lou” não é a fotografia nem a trilha sonora, mas o roteiro e as atuações. O lugar por onde passa a história dessa mulher e os contornos que esses atores deram à seus personagens são brilhantes. O filme ganhou o prêmio de melhor filme no Emden International Film Festival, mas ficou por isso mesmo. A produção, independente e módica, tem um roteiro muito específico, pela própria vida da personagem principal, e passa pelas searas da Filosofia, Psicanálise, Literatura, Arte e afins e seleciona público por tal.

“Lou” é uma obra inteligente que traz uma alma rebelde, filha de Lilith (folclore hebraico) cercada por seus iguais, hoje considerados os maiores intelectuais do século XIX. Autora de ensaios, como: “A Humanidade da mulher” e “Reflexões sobre o problema do amor”, Lou Andreas-Salomé foi inspiração para muitos intelectuais de sua época, dentre eles: Nietzsche, em suas obras: “Ecce homo” e “Zaratrustra”. Em tempos de feminismo exacerbado e sem lastro é uma boa pedida para pensar o que é a luta por direitos iguais e qual deveria ser o seu nível. Sensacional!

 
 

Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos em relação a indícios de mentalidades, nível tecnológico e momento histórico.

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