Manifesto

Manifesto

Por | 2017-11-13T23:15:36+00:00 13 de novembro de 2017|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Manifesto (Drama); Elenco: Cate Blanchett; Direção: Julian Rosefeldt; Alemanha, 2017. 95 Min.

“Manifesto” é o mais recente trabalho do cineasta alemão Julian Rosenfeldt, foi apresentado  como uma instalação de 13 vídeos numa exposição em Stuttgart e consta de interpretações monologais realizadas por Cate Blanchett que nada mais são do que citações de manifestos políticos e artísticos reais da modernidade que aludem à História da Arte e do Cinema: do manifesto comunista (1848)  ao manifesto dadaísta; do manifesto da PopArt de Cloes Oldenburg ao manifesto de arquitetura; todos postulados de vanguarda com imagens vigorosas e palavras contundentes.

A instalação de vídeos foi exibida em maio em Staatsgalerie de Stuttgart e é a fragmentação do filme “Manifesto” que em sua totalidade não deixa de ser atual e um grande clamor por exercício de liberdade na arte e na vida. O que chama a atenção na composição da obra são as circunstâncias nas quais os trechos são postos. Os destaques vão para o manifesto dadaísta num sepultamento sendo proferido pela própria viúva; e uma oração à mesa, antes da refeição com a família, em tom de clamor pela dona-de-casa, e que nada mais é do que o manifesto da PopArt de  Cloes Oldenbrug.

Julian Rosenfeldt é membro do departamento de videoarte da academia bávara de belas artes de Munich e tem no currículo outra instalação cinematográfica forte e desconcertante, “Asylum” (2002) em que, em 9 partes ele parodia bizarramente os estereótipos que temos de pessoas e suas culturas em imagens sem sentido. “Manifesto” ganhou o prêmio Guerrilha Staff do Biografilm Festival e foi indicado à Tulipa de Ouro do Festival de Istambul. O grande destaque vai para Cate Blanchett que se superou como camaleoa interpretando 12 personagens, andando de mãos dadas com Tilda Swinton no quesito versatilidade. De morador de rua a analista financeira, de professora primária a gótica politizada, de operária a professora de balé. Cate Blanchett dá show á parte.

Quanto as tecnicalidades, os destaques vão para maquiagem e figurino, respectivamente: Morag Ross de “A Chegada” (2012) e Bina Daigeler que é fichinha carimbada nos filmes de Almodóvar e alejandro Iñarritu e, mais recentemente seu trabalho pode ser visto em “Narcos”. “Manifesto” é o crème de la crème da militância de esquerda e orgasmos múltiplos para os rebeldes de plantão, independente de a qual área pertença, se ao cinema, às artes plásticas ou à literatura. De Lênin a Lars Von Trier todos estão juntos em uma mesma criação artística cinematográfica arrepiante. Tanto pelas atuações de Cate Blanchett quanto pela força das palavras selecionadas que ali são postas. “Manifesto” é uma instalação em movimento vista por uma câmera cinematográfica que insere o espectador em suas próprias experiências políticas, numa viagem no tempo na Historia e nas memórias de quem assiste. O longa seleciona público por sua erudição e contexto, além de sua abordagem abstrata, exigindo concentração para o entendimento e a conexão dos discursos com a origem de seus textos. “Manifesto” é chucrute de boa qualidade e é para um público seleto.


Saiba mais sobre a instalação de vídeos do filme (Aqui!)
 

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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