Me Chame Pelo Seu Nome

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Me Chame Pelo Seu Nome

Por | 2018-01-28T17:10:21+00:00 28 de janeiro de 2018|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Me Chame Pelo Seu Nome (Call me By your Name) (Drama/Romance); Elenco: Armie Hammer, Tomothée Chalamet, Michel Stuhlbarg, Amira Casar, Esther Garrel; Direção: Luca Guadagnino; Inglaterra/Itália/França/Alemanha/Israel (hebreus), 2017. 132 Min.

Surpresa na cerimônia do anúncio dos indicados ao Oscar 2018, “Me Chame Pelo Seu Nome” tem quatro indicações: Melhor filme, melhor ator para Timothée Chalamet, melhor roteiro adaptado e canção original. Possivelmente não leve nenhuma. Mas, já ter chegado até aqui com cara de filme de sessão da tarde para adultos, já uma vitória e tanto na jornada de reconhecimento de um filme.

Baseado no livro homônimo de André Anciman, o longa-metragem tem como roteirista o diretor James Ivory de “Vestígios de Um Dia” (1993) e “Uma Janela Para o Amor” (1985). A história é sobre a torrente de emoções e desejos de aventura do primeiro amor. E sua primorosidade está em ir além da fronteira de inscrição de gênero na sociedade. É uma história que por sua abordagem, se encaixa bem entre dois homens, entre duas mulheres, e ainda, entre um homem e uma mulher. Sua essência é o sentimento e o frenesi de exercício deste e não as questões referentes a normas sociais. O viés é picante, mas de uma naturalidade que conquista, Trata-se do encantamento de Elio (Timothée Chalamet), um garoto de 17 anos por Olivier (Armie Hammer), um pesquisador assistente de seu pai, Mr. Pearlman (Michael Stuhlbarg),  um arqueólogo especialista em cultura Greco-romana, cuja mulher, Anella (Amira Casar) é uma tradutora.

Ora, o filme, além de ser um primor na fotografia é um palco magnífico de atuações belíssimas e um mosaico de metáforas. A história se passa no nordeste da Itália com uma paisagem bucólica, cercada de construções medievais e nos lembra “Amarcord” (1973) de Frederico Fellini por sua intimidade, naturalidade e por abordar o cotidiano. Quanto a forma de filmagem, enquadramentos e abordagem de enredo nos remete a “Sob o Sol da Toscana” (2003). As metáforas e os subentendimentos são sutis e geniais. Aquele pai inteligente, gentil, cuidadoso e compreensivo chama-se em tradução livre ‘homem pérola’. A mãe, Annella, é uma observadora que interpreta tudo à sua volta, a tradutora de profissão e vida. A abordagem da naturalidade do amor desvencilhada do rótulo de gênero do corpo, mas com exercício de sexualidade é o crème de la crème da obra e se mostra ‘traduzida’ na conversa de Mr. Pearlman e Elio. Vale a atenção meticulosa à conversa, até porque é uma das melhores cenas do filme, das mais significativas e foge completamente à toda linha semiótica do filme inteiro (é feita em close, no escuro, e em segredo). Simplesmente, sensacional!

O filme de Luca Guadagnino, um italiano de nascimento conhecido por “Um Sonho de Amor” (2009), tem como produtor o Midas brasileiro Rodrigo Teixeira e na fotografia a assinatura do tailândês Sayombhu Mukdeeprom conhecido pela trilogia de Miguel Gomes “As Mil e Uma Noites: Vol 1 (O inquieto); Vol 2 (O Desolado); Vol 3 (O Encantado) e que não foi indicado ao Oscar. Mas, quem rouba a cena é Timothée Chalamet e o figurino da década de 80. O filme é bom, mas não é filme para Oscar. Em cada indicação de “Me Chame Pelo Seu Nome” tem um gigante favorito, a possibilidade existe? sim. Em roteiro adaptado. Mas, é remota.

Em suma, “Call Me By Your Name” é uma co-produção anglo-italiana falada em inglês (esse é o critério para concorrer ao Oscar na categoria principal). Tecnicamente, a única coisa que destoa, é justamente, o inglês que não combina com as paisagens bucólicas de Lombardy, os vinhos tintos, a música de Maurice Ravel e Sebastian Bach. Por falar em música, a canção que concorre é “Mystery of Love de Sufjan Stevens, mas vai disputar com This is Me” de “O Rei do Show” (vai ficar difícil!). Enfim, o filme é bom, a técnica é boa, as atuações então…., mas não é filme para Oscar.

Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos em relação a indícios de mentalidades, nível tecnológico e momento histórico.

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