‘Minha Obra-prima’ a vida como tal

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‘Minha Obra-prima’ a vida como tal

Por | 2019-03-23T02:40:25+00:00 23 de março de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Minha Obra-prima (Mi Obra maestra/My Masterpiece)(Comédia);Elenco:Luis Brandoni, Guillermo Francella, Andrea Frigerio, Raul Arévalo,Direção:Gastón Duprat; Argentina/Espanha, 2018. 100 Min.

Quando se fala em cinema argentino sabemos que vem coisa boa. Sabemos que vem abordagens inteligentes, sacadas inusitadas e finais inesperados. Dessa fórmula “Minha Obra-prima”não foge. Gastón Duprat, que costuma trazer abordagens nada convencionais, dirige e roteiriza com Andrés Duprat a história de um artista plástico que, inconformado com a ganância e a miséria do mundo se reinventa de uma forma incomum. Além de versar sobre honestidade e sua dessintonia com o mundo, o longa ovaciona a amizade com os dois pés no chão, sem ser piegas.

Renzo Nervi (Luis Brandoni) é um artista plástico falido, crítico da ordem social vigente e que não consegue mais produzir. Arturo Silva (Guillermo Francella) é seu agente, dono de galeria e amigo de longa data. Como as coisas não andam bem resolvem tomar uma atitude radical. E esse é o catalisador para versar sobre as possibilidades de se driblar as dificuldades do cotidiano num mundo cujos valores são paradoxais e quase tudo passa pelo vil metal.

As atuações de Luis Brandoni de “Mi Cuñado” (premiada série de 1993/1996) e Guillermo Francella de “O Clã” (2015) estão divinas e muito bem sincronizadas. A palavra é essa. Os diálogos são um balé cujo time é o orquestrador da graça e da química na arte cênica. O destaque vai para Guilllhermo Francella, cujo personagem é o narrador e que através dela – a narrativa – e de sua atuação nos leva num passeio poético/satírico sobre os conceitos de amizade, honestidade e relação entre arte e sobrevivência. O roteiro de Andrés Duprat é um primor ao definir artista e a arte e seus lugares no mundo.

“Mi Obra Maestra” (no original), por definição é uma comédia argentina de fino trato, com tiradas sutis, inteligentes e atuações magníficas, que traz uma bela lição de vida ao final. Sem contar, que é cinema argentino, não é não? Vale cada centavo do ingresso. Um primor!

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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