‘Obsessão’ – Solidão Perigosa

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‘Obsessão’ – Solidão Perigosa

Por | 2019-06-11T21:20:53+00:00 11 de junho de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Obsessão (Greta); (Drama/Mistério/Thriller); Elenco: Isabelle Huppert, Chlöe Grace Moretz, Maika Monroe; Direção: Neil Jordan; Irlanda/USA, 2018. 98 Min.

O cineasta Neil Jordan possui uma predileção por personagens que não se encaixam na realidade e que, por vezes, possuem o desejo obsessivo pela “não solidão”. Em “Entrevista Com Um Vampiro” (1994), por exemplo, vemos seres imortais poderosos, mas cuja a ideia de ficarem sozinhos se torna um terrível pesadelo. Em “Obsessão” esse pensamento vai aos limites, em um suspense que explora personagens solitárias no mundo, mas cada uma tendo uma forma diferente de lidar com isso.
O filme conta a história de Frances (Chloë Grace Moretz) de “A Invenção de Hugo Cabret” (2011), que acabou de perder a sua mãe e vive os seus dias de luto ao lado da melhor amiga de faculdade chamada Erica (Maika Monroe) do filme “Corrente do Mal” (2014). Certo dia ela acha no vagão do trem uma bolsa perdida e decide devolver para Greta (Isabelle Huppert) de “Elle” (2016), uma viúva solitária e que deseja manter uma amizade com Frances. Porém, não demora para Frances notar que Greta começa a ficar obsessiva por ela, nascendo então um verdadeiro jogo de perseguição e com desdobramentos imprevisíveis.
Com uma fotografia mórbida, Neil Jordan faz questão de retratar aquele universo particular das personagens principais de uma forma que não se torne nenhum pouco acolhedor e fazendo com que Frances, por exemplo, se torne uma presa fácil. Porém, uma vez que ela descobre mais sobre Greta, é então, o início dos desdobramentos começando no primeiro ato da trama. Curiosamente, há um ritmo acelerado na medida que Frances tenta fugir de Greta o que faz com que a tensão aumente na medida em que a trama avança.
Temos aqui, ao menos, uma trindade formada por personagens que lidam com atos e consequências de uma forma distinta. Se por um lado temos Frances que não soube desvencilhar da dor devido a solidão, do outro, temos a sua amiga Erica que, embora aparente ter um desejo em manter a sua melhor amiga sempre ao seu lado, não esconde também uma segurança de estar bem consigo mesma. Já Greta nada mais é do que uma pessoa fria e calculista, cuja a ideia de ficar sozinha a faz provocar situações que a levam por um caminho sem volta.
Se Isabelle Huppert já causa arrepios em outros papeis, cujo os filmes, às vezes, nem sequer são do gênero suspense, aqui ela está mais do que a vontade em colocar todos os seus demônios para fora fazendo da sua personagem uma entidade do caos, sempre em movimento constante. E se por um lado temos uma atuação econômica de Chloë Grace Moretz, do outro, Maika Monroe surpreende em todas as cenas, ao criar uma personagem lúcida e que sabe jogar diante das adversidades de uma cidade grande e opressora.
Nas mãos de outros realizadores, “Obsessão” terminaria como um suspense raso, já que a história em si não traz muito frescor de originalidade dentro do gênero. Porém, é graças a direção segura e perfeccionista de Neil Jordan, que faz toda a diferença, ao criar situações que testam as nossas próprias expectativas. O ato final, aliás, é digno de nota, ao criar uma tensão sem limites sem devendo nada para os melhores filmes de suspense de antigamente.
“Obsessão” é um filme de suspense elegante, que surpreende pelo seu ritmo e que não cai na vala comum do esquecimento cinematográfico.

Sobre o Autor:

Crítico de cinema do blog Cem Anos Luz. Associado do Clube de Cinema de Porto Alegre. Colaborador das paginas A Hora do Cinema e Cinema Sem Frescura Participante de mais de 80 cursos de cinema do Cine Um de Porto Alegre.

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