‘Parasita’ – a imagetização de estereótipos

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‘Parasita’ – a imagetização de estereótipos

Por | 2019-12-28T19:35:19+00:00 26 de dezembro de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Parasita (Gisaengchung/Parasite) (Comédia/Drama/Thriller); Elenco: Kang-hoo Song, Sun-kyun Lee, Yeo-jeong Jo, Woo-sik Choi, So-dam Park, Geong-eun Lee; Direção: Bong-joon Ho; Coréia do Sul, 2019. 132 Min.

Como imagetizar a construção/criação de imaginários? Como mostrar ludicamente a saga de quem não tem vez? Como fazer um painel imagético dos privilegiados sem ostentação? Essa tessitura engenhosa foi trazida para realidade em forma de filme pelo cineasta sul coreano Bong-joon Ho, conectando o que todos têm em comum – os cotidianos – transitando em um mesmo espaço e tempo, com formas de ver e lugares de fala diferentes e simultâneos. impostos pelo status quo, “Parasita” apresenta uma dança macabra de lugares e olhares que recebeu a Palma de Ouro de Cannes desse ano. Possivelmente estará na lista final de indicação ao Oscar e, quiçá levará o prêmio.

A história se resume no entrelaçamento de duas famílias de classes sociais diferentes, de níveis culturais e de formação diferentes que são unidas por um mesmo viés, a sobrevivência, ou vivência – dependendo de que lado se decida ver a narrativa – o chão da história é o cotidiano de cada um e as questões evocadas são: Quem depende de quem? De qual forma? O que desenha essa dependência? Quais forças estão envolvidas? Quais estereótipos e estigmatizações criamos para rotula-los (os indivíduos ) e identifica-los sem levar em consideração as variantes que compõem a realidade? “Parasita” é uma obra cinematográfica sul coreana dirigida pelo respeitado Bong-joon Ho, conhecido por “Okja” (2017); “Mother” (2009) e Snowpiecer” (2013). O longa faz a maestria de trazer para a ação/atuação pensamentos e subjetividades profundas, com nível de transmissão e de quase-precisão admiráveis, sem criar juízo de valor, apenas apresentando as vertentes de um contexto e deixando o espectador fazer suas próprias ilações. Se posiciona, é óbvio. Mas, deixa o espectador bem à vontade, embora incomodado.

Em relação às tecnicalidades, as atuações são estupendas. O destaque vai para Kang-ho Song – pai da família Kim – que está glorioso. Kang-ho não precisa falar, seus olhos, suas expressões faciais gritam. Ator veterano e premiado, Kang-ho é a agulha que traça o caminho da linha narrativa. O longa já abocanhou 102 prêmios mundo afora, está indicado a três Globos de Ouro (melhor diretor, roteiro e filme estrangeiro) e, por seu currículo em festivais e receptividade de público e de crítica tem um lugar garantido na lista final do Oscar 2020 e grandes chances de levar a estatueta na categoria.

“Parasita” é uma parábola sobre enraizamento de preconceitos e sua naturalização. É uma metáfora sobre ocupação dos espaços sociais e um desenho da luta de classes silenciosa. Aquela sem articulação política, vivida individualmente. O que não deixa de ser um fomento à luta coletiva. “Parasita” é uma obra-prima.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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