‘PéPequeno’: a questão do ponto de vista

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‘PéPequeno’: a questão do ponto de vista

Por | 2018-09-28T11:40:15+00:00 28 de setembro de 2018|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

PéPequeno (Smallfoot) (Animação/Aventura/Comédia); Elenco: Channing Tatum, Zendaya, Common, Danny DeVito; Direção: Karey Kirkpatrick; USA, 2018. 96 Min.

Esqueçam a Pixar, o Disney e a Dreamworks. A Illumination Entertaiment do Grupo Warner veio para disputar um espaço entre essas grandes produtoras de animação e está fazendo bonito. “PéPequeno” é uma animação de qualidade, não somente técnica, mas de conteúdo. Engraçado, leve e reflexivo o longa versa sobre  verdade e mentira com camadas diferentes de profundidade, no nível dos pimpolhos  e no nível dos adultos, ampliando a questão para a ordem dos discursos. Ou seja, tem conteúdo para todo mundo debaixo de muitas gargalhadas.

Migo (Channing Tatum) é yeti (abominável homem das neves/Pé Grande), filho de um tocador de gongo, ele é alegre e brincalhão. Um dia encontra um PéPequeno (ser humano) que julgava ser uma lenda, e fica apavorado e encantado ao mesmo tempo. Inspirado livremente no livro “Yeti Tracks” de Sergio Pablos os três roteiristas (Clare Sea, John Requa e Gleen Ficarra)  viram a história do Pé Grande de cabeça para baixo de forma bastante inteligente: mudando o ponto de vista e possibilitando, inclusive, uma autocrítica. O lugar de realidade, de onde partem as argumentações é os yetis e lenda somos nós. A partir daí se desenvolve uma história que versa sobre ‘verdade’ e mentira e as nuances de um discurso de forma brilhante. Ao alcance das crianças esta camada é mais superficial, a da feiura da mentira e a do valor e recompensa da ‘verdade’. Para os adultos, todo um descortinar do que há por trás dos discursos e como são usados para fins pessoais e/ou coletivos.

A produção não deixa a desejar a nenhum dos grandes estúdios de animação. O designer de produção assinado por Ronald Kurniawan de “Os Croods” (2013) e “O Gato de Botas” (2011) é o destaque com ideias engenhosas. A trilha sonora é um detalhe à parte. Com composições que servem como descanso de atenção e como impulso da aventura e que se conectam muito bem ao roteiro como “Don’t Stop Believin”. Foi-se a época em que animação era coisa somente para crianças. Vale o Ingresso!

Sobre o Autor:

Amante da sétima arte e escritora por hobby

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