A grande beleza

A grande beleza

Por | 2013-12-29T20:07:05+00:00 29 de dezembro de 2013|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

A Grande Beleza (La Grande Bellezza). (comédia/drama); Elenco: Toni Sevillo, Carlo Verdone, Sabrina Ferilli; Diretor:  Paolo Sorrentino; França/Itália, 2013. 142 Min.

Jepi Gambardella ( Toni Sevillo) é um escritor de um livro só. Jornalista do nicho cultural, vive à procura dos momentos de plenitude que acomete aos artistas/viventes agraciados pelos deuses e, que deixam como resultado registros artísticos singulares para a humanidade. O único livro que Jepi escreveu foi concebido após um momento muito especial, que o pôs em contato com o que havia de mais belo no mundo, em mais de uma dimensão. Depois parou de escrever e foi à procura da grande beleza que o inspirasse novamente. O que Jepi procurava é o momento único, aquele que não se repete jamais.

La-grande-bellezza-cover-locandinaFalar de A grande beleza é empobrecer uma tentativa de viagem à essência das coisas. Palavras diminuem o que Sorrentino propôs imageticamente. Paolo Sorrentino é um cineasta e roteirista italiano de Aqui é o meu lugar ( The must be place, 2011) mas ficou conhecido internacionalmente com Le Conseguenze del’amore (2004). Com A Grande Beleza, Sorrentino faz um desfile de preciosidades da arte. De esculturas como Fontana del moro – piazza del navona, Fontana de trevi, onde foi rodado La Dolce Vita (1960), o panteón, a loba Capitolina, que segundo a lenda, alimentou Rômulo e Remo, o Arco de Constantino, dentre outros; a lugares como o Coliseu, as pontes medievais e a piazza del Campidoglio; Na música vai de sinfonias de Bizet, passando por Take my breath away da banda Berlin até a Macarena de Los del rio; Na literatura viaja por Proust, Camus e Dostoievsk; Na dança vai da discoteca à dança a dois, coreografias de salão e performances teatrais; passa, também, pela natureza e pela espiritualidade. Todos possíveis caminhos dessa busca acompanhados  da personagem Jepi.

441904219_640O filme é um passeio pela história da humanidade. É Roma elevada a enésima potência, em relação às relíquias magnânimas que os grandes momentos de pureza d’alma foram capazes de produzir, através dos talentos dos artistas que se dispuseram. Os passeios pelos monumentos remontam a  Roma de fellini (1972) e as desconexões entre o que fala a obra de arte, a dança, a música, e o corpo com as palavras, lembra Bodas de Sangue (1981) de Carlos Saura.

O assunto é produção humana prodigiosa e a força motriz, quase que divina, que a faz acontecer. É sobre a busca do momento de criação de algo único, quase que a busca do momento de verdade. E preconiza que essência é aquilo que somos embaixo das camadas e camadas de fingimento, atuação e blá, blá,blá.

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A Grande beleza já abocanhou melhor filme, melhor editor, melhor ator (Toni Sevillo) e melhor roteiro no European Film Awards (2013); ganhou o Globo de ouro italiano (2013) com melhor fotografia e foi indicado ao Golden Globe (2014) como melhor filme estrangeiro. É uma obra prima e não seria surpresa alguma se, daqui a algumas décadas, constar no panteão dos memoráveis.

Um filme para quem gosta de arte, que aprecia o que o ser humano pode produzir de divino e não se furta de buscar os caminhos e o entendimento desse processo. Afinal, conscientes ou não, todos estamos á procura da grande beleza.

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Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos como registro de mentalidade, nível tecnológico e momento histórico.

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