Poesia Sem Fim

Poesia Sem Fim

Por | 2018-06-17T00:55:05+00:00 17 de julho de 2017|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Poesia Sem Fim (Poesia Sin Fin) (Biografia /Drama/Fantasia); Elenco: Adan Jodorowsky, Brontis Jodorowsky, Leandro Taub, Pamela Torres; Direção: Alejandro Jodorowsky; Chile/França, 2016. 128 Min.

Mistura de artes cênicas (mímica, teatro, circo e ópera) e artes plásticas (alegorias e trabalhos artesanais) com filosofia existencial e literatura “Poesia Sem Fim” é a continuação de “A Dança da Realidade” (2013) do cineasta chileno radicado na França, Alejandro Jodorowsky e faz parte de uma pentatologia. Ambientado no Chile da primeira metade do século XX o longa tem como recheio a poesia e a subversão nos diversos âmbitos da vida; do familiar ao político. E ainda usa a dissonância como tempero para sua narrativa.

Cheio de vida, no discurso e nas alegorias, e falando de vida em essência, a história dirigida por Jodorowsky é uma autobiografia com surrealismo e alguma pitada de escatologia. Se detém na sua descoberta como artista e usa o cinema para conversar consigo mesmo e curar feridas do passado, como um deus humano que descobriu a chave para ‘consertar’ dentro de si e publicamente o que a vida não permitiu que o fizesse de fato. Reafirmando sua posição como cidadão, como artista e como homem/pessoa, fala de amores, relações sociais – amizade, família e profissão- mas o viés é existencialista e através do usos das artes dentro da arte cinematográfica. As metáforas que remetem ao ato de viver, para além do discurso, vai do poder da escolha e seus preços ao exercício da sexualidade com abordagens fora da caixinha e com uma atuação caricata lembrando o exacerbo teatral. O longa é uma projeto familiar de crowdfunding, no palco/enquadramento se encontram o próprio Alejandro e seus filhos: Adan e Brontis. Na trilha sonora que evoca a nostalgia, Adan, Que além do papel principal, também assina a categoria.

Alejandro, do alto dos seus 88 anos, foi discípulo de Marcel Marceau, Dirige o longa e atua, entrando em cena conversando consigo mesmo jovem – o seu eu ontem – fazendo uma espécie de consciência. A linha de abordagem levou o prêmio do público no Festival de St Paul de Mineápolis e duas indicações: melhor filme estrangeiro no Festival de Munich e Melhor narrativa no Festival de São Francisco.

“Poesia Sem Fim”  tem a veia teatral e filosófica de “Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo sobre a Existência” (2014) e conta a história da juventude de Alejandro Jodorowsky contada por ele mesmo com seu viés político e extravagância cênica. Ali, Alejandro faz as pazes com seu pai. Ali, Jodorowsky é réu e juiz de si mesmo com uma cola subjetiva singuler – a lógica da vida fora da lógica imposta. Um primor para quem aprecia o cinema arte.


 

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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