‘Sementes: Mulheres pretas no Poder’ – a jornada da germinação

>>‘Sementes: Mulheres pretas no Poder’ – a jornada da germinação

‘Sementes: Mulheres pretas no Poder’ – a jornada da germinação

Por | 2020-09-07T18:03:15+00:00 7 de setembro de 2020|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Sementes: Mulheres Pretas no Poder (Documentário); Participaçoes: Mônica Francisco, Rose Cipriano, Tainá de Paula, Jaqueline Gomes, Renata Souza, Talíria Petrone; Direção: Éthel Oliveira, Júlia Mariano; Brasil, 2020. 100 Min.

“Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera” (Luiz Inácio Lula da Silva)

Dirigido por Éthel Oliveira e Julia Mariano o documentário “Sementes: Mulheres Pretas no Poder” acompanha a jornada das campanhas eleitorais de mulheres negras no ano de 2018 na cidade do Rio de Janeiro, baixada fluminense (Duque de Caxias) e região metropolitana (São Gonçalo) e mapeia o clima de polaridade política do momento alinhavado pelas propostas políticas das candidatas aos cargos de vereadora e deputados estadual e federal daquele ano.

O longa faz um link procedente com a execução da, então, vereadora municipal Marielle Franco em março de 2018, com o movimento das mulheres negras da periferia na ocupação dos espaços de poder da cidade, seguindo os passos e mantendo vivo o ideário de direitos humanos da socióloga, mulher negra, de periferia conhecida no mundo inteiro e calada meses antes. O roteiro acompanha os comícios acompanha os comícios, os reuniões avaliativas das ações da campanha na esquina da democracia na Lapa, os debates com eleitores, os resultados da eleição daquele ano e as devidas posses das candidatas que venceram o pleito. Mais que isso acompanha a inteligência negra – ignorada e silenciada – em avaliar o contexto social em relação à sua etnia na sociedade carioca e apresenta os desenhos de suas táticas.

A direção ficou por conta da documentarista Éthel Oliveira de “A Terceira Diáspora” (2011), “Vinte de Novembro” (2011) e “Arremate” (2017) que é cientista social e desenvolveu pesquisas com povos indígenas e; Julia Mariano, cineasta formada em Cuba, cuja trajetória de formação passou pela Alemanha tendo como resultado o documentário “Contra-corrente” (2009) e que é conhecida por “Ameaçados” (2014). O longa é produzido pela Noix Cultura que realiza documentários engajados com a temática dos direitos humanos e; distribuído pela Embaúba Filmes, especializada em cinema nacional e sediada em Belo Horizonte, que tem no currículo os filmes: “Arábia” (2017), “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos” (2018) e, “No Coração do Mundo” (2019).

Em suma, “Sementes: Mulheres Pretas no Poder” é um registro da saga secular da inserção negra nos espaços de poder. Não deixa de ser uma homenagem à Marielle Franco, cujo último discurso pronunciado na Câmara dos Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro disse: “Ninguém vai me parar”… e ouso acrescentar “Não pararei porque sou mais que um ser humano, eu sou uma ideia” (Frase dita pelo ex-presidente brasileiro Lula e seu último discurso antes de ser preso por mais de um ano). Independente de siglas e ideários políticos, essas falas se completam na construção da consolidação da luta da esquerda no Brasil. Assim como em “Democracia em Vertigem” (2019) o longa desenha um painel – salvaguardas a peculiaridades de cada um – dos embates da esquerda um país colonialista e que chegou ao limite das suas relações sociais, políticas e econômicas. Assistir “Sementes: Mulheres Pretas no Poder” é costurar a luta da esquerda brasileira de perto, vivendo-a antes dela entrar para os livros de História – onde se acompanha fatos à distância – Mais que isso, é participar dela e acrescentar às nossas redes de significações elementos para as nossas escolhas políticas futuras no processo democrático. Viva o audiovisual e boa sessão!

Como assistir:

A partir das 19hs do dia 07/09/2020 as diretoras farão uma fala de 10 min e em seguida o filme será disponibilizado. Tudo isso no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=KP_d721DOq4

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

Deixar Um Comentário