‘Um dia de chuva em Nova York’ – Woody Allen e a insatisfação ontológica

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‘Um dia de chuva em Nova York’ – Woody Allen e a insatisfação ontológica

Por | 2019-11-22T22:04:09+00:00 22 de novembro de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Um dia de Chuva em Nova york (A Rainy Day in New York); (Comédia/Romance); Elenco: Timothée Chalamet, Elle Fanning, Liev Schrieber, Selena Gomez, Jude Law; Direção: Woody Allen; USA, 2019. 92 Min.

Gostando ou não de Woody Alen, conhecendo ou não seus filmes, é difícil achar quem viva uma vida cosmopolita e nunca tenha ouvido falar do cineasta. Se bem ou mal, não importa. O cineasta americano obcecado por Manhattan e Nova York, que produz em média um filme por ano, que traz temas subjetivos e polêmicos para a telona, não dispensa piadas de judeus – todo filme tem pelo menos uma – e mergulha no existencialismo como ninguém, está de volta com ” Um dia de Chuva de Nova York”. A história de um aspirante a escritor e uma aspirante a repórter que vão passar um final de semana em Nova York para se divertirem, enquanto a namorada faz um trabalho para a universidade – entrevistar um diretor de cinema.

Tem- se a impressão de que Woody Allen não muda de assunto, nem de tom. Mas ele consegue ser novo no arcabouço repetitivo de suas histórias sempre olhando de um lado diferente da mesma coisa – a vida – sem exaurir abordagens, sempre com o velho e bom jazz ao fundo e aquela fotografia hipnótica. Dessa vez não foi diferente, o cineasta de “Tudo o que você queria saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar” (1972); “O Dorminhoco” (1973) e “Noivo neurótico, Noiva nervosa” (1979) manteve o bom e velho estilo existencialista dos últimos tempos, versando sobre verniz social: aquilo que a gente é para os outros verem e aquilo que a gente de fato é. A diferença entre ser feliz ou não nessa empreitada, talvez seja assumir isso. Agradar aos outros ou a si mesmo? Temos controle sobre os nossos desejos, sonhos e planos?…. Para variar, Woody Allen versa sobre tudo isso com angústia, incertezas, divagações e confusões. Tomar as rédeas da vida ou deixar-se levar por ela?… eis a questão posta.

Polêmicas à parte, o bom e velho woody está de vento em popa em suas produções e processos de criação do alto de seus 83 anos. Com cara de nerd, jeito de nerd e assunto de nerd, Mr. Allen traz um filme com uma fotografia excepcional com cores quentes como “Roda Gigante” (2017), diferente do azul tranquilizador de “Café Society” (2016). Ambos com a assinatura de Vittorio Storaro que também assina “Um Dia de Chuva em Nova York” e que já faz parte da história do cinema com trabalhos como “O Último Imperador” (1987), “Reds” (1981) e “Apocalipse Now” (1979). Sobre as atuações, Timothée Chalamet de “Me Chame pelo seu Nome” (2017) está um primor como o futuro escritor angustiado; Ellen fanning de “Malévola: A Dona do Mal” (2019) está ótima como a futura repórter deslumbrada e não tão inteligente; Selena Gomez fecha a tampa como a astuta de carteirinha..

Para resumir o mais recente filme desse intelectual sarcástico pode-se dizer que “Um dia de Chuva em nova york” é uma narrativa existencialista sobre as patetices da vida enquanto são postos no palco, a sagacidade, a insatisfação, a angústia, a inteligência e a imbecilidade. Quem vir no longa um revival contemporâneo e leve de “Noivo Neurótico, Noiva nervosa” não estará delirando. O longa é uma boa pedida para quem é fã do cineasta e para quem não é. Afinal, nunca é tarde para começar nada.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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