‘Uma segunda chance para amar’ mais que uma comédia romântica natalina

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‘Uma segunda chance para amar’ mais que uma comédia romântica natalina

Por | 2019-11-29T14:43:12+00:00 29 de novembro de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Uma Segunda Chance para Amar (Last Christmas) (Comédia/Drama/Romance); Elenco: Emilia Clarke, Henry Golding, Emma Thompson; Direção: Paul Feig; Reino Unido/USA, 2019. 103 Min.

Filmes de natal temos aos montes, comédias românticas, também. Por isso nos surpreendemos quando algum deles seguem outra linha de fuga, quando saem da curva do clichê e da, dita, normalidade. Pode-se dizer que “Uma Segunda Chance para Amar” tem esse perfil. O longa-metragem versa sobre o amor universal, sobre solidariedade, sobre igualdade entre as pessoas independente do lugar de nascimento, da condição física, da classe social e ainda, investe no assunto doação de órgãos dentro de seu argumento, de uma forma procedente e sutil.

Kate (Emilia Clarke) é uma jovem que trabalha numa loja natalina de uma imigrante asiática, que tem questões relativas à sua família que a incomodam, que não se sente feliz e um dia encontra Tom (Henry Golding), um jovem que trabalha com voluntariado, que pensa em questões existencialistas e que se torna seu amigo. A partir daí questões relativas ao cotidiano, a família, aos imigrantes, aos sem-teto e a todos os seres humanos e suas necessidades são postas através de personagens e todas elas giram em torno de solidariedade e amor. Isso mesmo, o filme tem um arcabouço de comédia romântica comum, piegas e melancólica mas, traz em seu bojo questões importantes para se pensar em relações humanas. O centro da questão é ‘o outro’, o próximo, aquilo que devemos valorar sem ser chato, nem pretensioso em relação à lições de moral. o longa é leve, engraçado e faz pensar.

Emilia Clarke, mais conhecida pela personagem de ‘game of Thrones’ – Daenerys Targaryen – tem surpreendido na escolha de seus projetos. Na franquia do Exterminador do Futuro, no filme “Gênesis” (2015) foi Sarah Connor, desafio nada fácil para o que significou a personagem nos anos 80/90. Em 2016 aceitou um papel numa comédia romântica que versava sobre eutanásia, “Como Eu Era Antes de Você” e agora interpreta Kate numa comédia romântica que versa sobre doação de órgãos. A questão é, tanto num quanto noutro, o gênero é o mesmo e o diferencial também. Se naquele, o mote era se falar sobre um tema polêmico travestido de filme de comédia romântica; neste, o mote principal é falar sobre um assunto que não está presente em nossas mesas de bar ou nos nossos entretenimentos, mas que é de suma importância hoje no mundo, embalado num filme de comédia que versa sobre amor ao próximo, gentilezas e igualdade. E não é propaganda enganosa. Isso não é amor? Sim, e o mais importante deles, o universal. Aquele sobre o qual divagamos e pouco sabemos.

Quanto as tecnicalidades, a roteirista é ninguém menos que Emma Thompson, oscarizada na categoria por “Razão e Sensibilidade” (1995) e que interpreta com louvor, Petra, a mãe de Kate. A trilha sonora tem a assinatura de Theodore Shapiro de “Caça-Fantasmas” (2016) e que faz uma homenagem a George Michael, que tinha ações altruístas e de caridade, usando suas músicas, desde o título original. São elas: “Last Christimas”; “Freedom”;” Faith” e “This is How”. Paul Geigh, que assina a direção, usa de sua bem humorada abordagem com uma velocidade acelerada muito bem postas em “Caça-Fantasmas” (2016); “A Espião que sabia de Menos” (2015) e as “Bem -armadas” (2013), para premiar “Last Christmas” (no original) e funciona, cai muito bem e fecha redondinho com as questões da personagem de Kate e seu estado emocional.

Ou seja, o forte do longa é a história, seu viés humanitário e a forma de apresenta-la através dos imigrantes, dos sem-teto, dos desvalidos, dos esquecidos), “Uma segunda Chance Para Amar” versa sobre o exercício do amor universal, o que ele exige de nós, o que muda no mundo e em nós. “Uma Segunda Chance para Amar” diverte muito e sensibiliza.


Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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