Entrevista com Eduardo Nunes – diretor de “Unicórnio”

>>Entrevista com Eduardo Nunes – diretor de “Unicórnio”

Entrevista com Eduardo Nunes – diretor de “Unicórnio”

Por | 2018-08-23T17:40:15+00:00 23 de agosto de 2018|Entrevistas|0 Comentários

                                                                                  Crédito da foto: Zeca Miranda

O site Cinema & Movimento foi recebido por e-mail pelo diretor Eduardo Nunes na semana de estreia de seu mais recente longa-metragem “Unicórnio”. O diretor conhecido pela direção de “Sudoeste” (2011) e o roteiro de “Árido Movie” (2005) respondeu questões sobre a inspiração para fazer o longa baseado nos contos de Hilda Hilst,  seu processo de composição da metáforas imagéticas ali postas, os diretores que são sua influência e seus projetos futuros. Confira!

 

C&M: O que deu o start para adaptar textos de Hilda Hilst para a linguagem imagética?

Eduardo: Acho que o que deu o start foi mesmo a ligação afetiva que fui criando a medida que lia os textos da Hilda. Havia lido ‘O UNICÓRNIO’ há muitos anos, quando era jovem, e lembro que a escrita da Hilda me impressionou naquela época. Era algo que eu não compreendia totalmente, mas percebia como muito forte, muito intensa. E a minha “não compreensão” imediata tornava estes textos ainda mais instigantes. Não é aquele tipo de livro que você lê e pensa “que daria um bom filme”, é um livro com uma poesia muito presente; e a única forma de adaptar é preservar esta poesia, apropriando-se dela no cinema. Eu fui escrevendo o roteiro à medida em que relia o livro. Fazia anotações sobre temas e a forma como eram abordados. Para mim era importante criar os paralelos entre as duas novelas que utilizei como inspiração para o filme. Tentei buscar um diálogo entre estes dois textos, e na medida em que o roteiro era escrito, as imagens e os sons que compõe o filme surgiam juntos, pois a ideia era uma transposição buscando equivalentes entre a literatura e o cinema.

 

C&M: Como foi o processo de composição das metáforas imagéticas postas no filme para abordar tamanha subjetividade?

Eduardo: Como disse, é muito difícil adaptar uma literatura tão subjetiva, tão poética. Acredito num cinema que trabalha muito com as percepções, com as sensações que as imagens e os sons podem provocar no espectador, antes mesmo de uma compreensão racional e lógica do filme.  Os curtas e o longa anterior que realizei eu já trabalhava assim. O que eu precisei fazer em ‘UNICÓRNIO’ foi entender como a literatura de Hilda me atingia, como se comunicava comigo. A partir daí colocava na tela a minha percepção do texto, e não uma “adaptação fiel” do texto em si. Acho que era a única forma honesta de fazer este filme.

 

C&M:O longa lembra “O Estranho que Nós Amamos”. Foi uma inspiração cinematográfica para compor a livre adaptação? Se não, qual/o que foi?

Eduardo: Apenas assisti a este filme recentemente. Acho que existem semelhanças temáticas, principalmente na questão das mulheres num ambiente recluso e o homem que chega. Mas a inspiração do tema do filme não vem daí, mas das duas novelas de Hilda Hilst: ‘O UNICÓRNIO’ e ‘MATAMOROS’. Dos cineastas contemporâneos, eu gosto muito do Carlos Reygadas, Nuri Bilge Ceylan e Andrey Zvyagintsev. Mas são inspirações mais da forma como eles encaram a arte, e o que os motivam a fazer um filme, do que propriamente a forma como filmam. Também gosto muito de buscar inspiração na literatura, principalmente nos russos Dostoiéwski e Turgêniev.

 

C&M: Quanto tempo duraram as filmagens?

Eduardo: Foram uns cinco meses de preparação, cinco semanas de filmagem e mais uns oito meses de finalização. Filmamos no Parque Estadual dos Três Picos, entre Teresópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

 

C&M:Quais são os seus projetos futuros?

Eduardo:Venho tentando trabalhar em mais de um projeto simultaneamente, pois acabamos levando muito tempo para realizar um filme. Atualmente estou com dois projetos de roteiro original, chamam-se ‘O TEMPO DA DELICADEZA’ e ‘CINCO DA TARDE’. Espero poder realizá-los num intervalo mais curto do que o dos últimos filmes.

 

 

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Sobre o Autor:

Amante da sétima arte e escritora por hobby

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