Irã, Coréia do Sul, Brasil e República Tcheca: Diferentes Perspectivas

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Irã, Coréia do Sul, Brasil e República Tcheca: Diferentes Perspectivas

Por | 2018-06-17T01:07:54+00:00 28 de outubro de 2017|Mostras e Festivais|0 Comentários

O Blog Cinema e Movimento traz para seus leitores mais uma leva de filmes assistidos e suas primeiras impressões. Do representando do Irã na corrida ao Oscar 2018 ao representante da República Tcheca; do sul coreano, seleção oficial de Cannes “O Dia Depois” de Hong Sang-Soo ao brasileiro “A Moça do Calendário” de Helena Ignez, o mundo e suas questões se vê por aqui.

Respiro de Narges Abyar. Irã 2017, colorido, 112 Min. (ficção)

Indicado do país para representa-lo na corrida a premiação maior do cinema este ano, “Respiro” dirigido por Narges Abyar é uma preciosidade de abordagem.  O contexto é a queda da monarquia autocrática comandada pelo então Xá Reza Pahlevi e a ascensão da república teocrática do Aiatolá Khomeini.  O espaço é uma aldeia distante de todas as movimentações da capital teerã, mas que sente sua influência. O viés é a visão infantil de  mundo e o quanto esse recanto protegido também é atingido.

Através dos olhos de uma menina de 9 anos ( Sareh Nour Mousavi) a cineasta Narges  Abyar versa sobre educação de meninas e meninos, sobre as tradições culturais do país, sobre política e os problemas econômicos com muita leveza e uma graça pouco usuais dentro do imaginário social do que seja a vida nos países teocráticos do Oriente Médio. O grande destaque do longa vai para a personagem da avó das crianças (Panthea Panahi Ha) que como alguém mais velha atravessa os costumes encruados com seu olhar de juízo de valor, seu silêncio irônico e suas maldições espontâneas; é uma bruxa carismática. O filme é uma poesia trágica com uma visão de pureza encantadoras. O Irã está muito bem representado no Oscar 2018 com “respiro”.

O Dia Depois de Hong Sang-Hoo. Coréia do Sul, 2017. P&B, 92 Min. (ficção)

Hoje foi o dia da culturas blindadas para o ocidente, indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes, “O Dia Depois” é dirigido por ninguém menos que, Hong Sang-Hoo de “Certo Agora, Errado Antes”. Produto sul coreano o longa se baseia no caso extra-conjugal de um editor Song Haejoo (Cho Yunhee ) com sua secretária e seu dilema entre viver uma grande amor e ferir os sentimentos e a dignidade de sua esposa. A abordagem é sobre a discussão do que chamamos de realidade, o que é criado, inventado e que pode ser ‘desinventado’. Sobre o quanto criamos nosso próprio sofrimento criando normatizações que ferem a natureza humana. Tudo isso é feito através de conversas do editor com sua nova funcionária Song Areum (Kim Min-hee), entre o editor e sua mulher, e entre ele e sua amante. A pegada é existencialista e além cultural, extrapola os costumes de um local, um idioma e se aloja naquilo que todos nós temos em comum , o humano.

Mãe no Gelo de Bohdan Sláma. República Tcheca/Eslováquia/França, 2017, colorido, 105 min. (ficção)

Representando a República Tcheca na corrida ao Oscar 2018 “Mãe no Gelo” conta a história de Hana (Zuzana Krónerová) uma viúva que vive para os filhos casados  cumprindo uma rotina de ajuda-los financeiramente e recebê-los semanalmente, sem nunca pensar em si, até que conhece Brona (Pavel Nový) um sexagenário, nadador. E apegada ao neto que apresenta um histórico de agressividade, inicia uma nova amizade com esse grupo. A partir desse argumento a cineasta nos mostra toda a vida que ainda reside no cotidiano dos idosos, ao contrário do que nos diz o imaginário social sobre a questão. Mas, o cerne da questão é mostrar o quanto aquela mulher ainda tem de calor e afeto para oferecer para aquela família gélida. “Mãe no Gelo” é um filme sensível, inteligente que fala em mais em seus silêncios do que em seus diálogos e é de uma graça que conquista o espectador.

A Moça do Calendário de Helena Ignez. Brasil, 2017, colorido, 86 Min. (ficção)

Em tempos de antolhos um filme experimental, politizado, que mistura duas linguagens (o cinema e o teatro), que passeia pela história de sétima arte brasileira em conjunto com todas as construções sociais do imaginário de realidade idealizada, mas com o pé no chão, é mais que bem vindo. Com slogans como: “Aqui fazemos barulho desde 1962” e tendo no elenco Mário Bortolotto a cineasta Helena Ignez toca na ferida das nossas despolitizações e ignorâncias mal-fadadas, mais uma vez.  O enredo traz um grupo de mecânicos filósofos existencialistas para lá de questionadores, o filho de um latifundiário que se torna proletário e uma sem-terra ativista que costuram todas as questões trazidas à baila.

“A Moça do Calendário” é uma boa pedida para organizar as ideias sobre a bagunça de país de construímos  e uma dose homeopática de politização na veia. Indispensável!

Sobre o Autor:

Amante da sétima arte e escritora por hobby

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