A Dama Dourada

A Dama Dourada

Por | 2018-06-17T00:00:46-03:00 14 de agosto de 2015|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

A Dama Dourada (Woman in Gold). (Drama); Elenco: Helen Mirren, Ryan Reynolds, Daniel Brühl, Katie Holmes; Direção: Simon Curtis; USA/Reino Unido, 2015. 109 Min.

Helen Mirren e Ryan Reynolds nos levam pela narrativa de uma história real sobre raízes. Helen é Maria Altmann (1916-2011), judia austríaca que teve que fugir para América durante a segunda Guerra Mundial, e Ryan é Randy Schoenberg um advogado, neto do compositor Arnold Schoenberg, contratado por Maria Altmann para recuperar um quadro pintado por Gustav Klimt, que pertencia à sua Família, os Bloch-Bauer. Tratava-se de “A Dama Dourada” considerada uma das maiores obras de arte do século XX e que  retratava sua tia Adele,  exposto na galeria Belvedere em Viena como patrimônio cultural daquele país. O detalhe é que obra fora adquirida mediante confisco efetuados pelo III Reich. Ryan aceitou a causa por dinheiro, Maria o contratou por suas raízes – ela conhecera seu avô. E o filme inteiro é um desfile pelo que há de mais tradicional e clássico na Viena do Século XIX, a música, a arte e a arquitetura.

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Baseado no livro: “A Dama Dourada: Retrato de Adele Bloch-Bauer – A História da Obra-prima de Gustav Klimt” da jornalista Anne-Marie O’Connor, o longa é uma encruzilhada de histórias que tem em comum a perseguição nazista aos judeus, o confisco das obras de artes e sua restituição aos seus donos. O diretor Simon Curtis de “Sete Dias com Marilyn” (2011) faz um compêndio da História através das lembranças de Maria Altmann, das obras de artes e da música. É executada Verklarte Nacht Opus nº 4 de Arnold Schoenberg(avô de Randy)  pelo sexteto Tonküsnst, o quadro de Klimt é exposto várias vezes e o desfile pelas ruas de Viena tanto dos tempos atuais quando dos idos da segunda guerra é uma viagem no tempo e  pela arquitetura do lugar. “A dama Dourada” foi roteirizado por Alexi Kaye Campbell de “9 1/2 Semanas de Amor” e a trilha sonora é assinada por Martin Phipps e  Hans Zimmer ( que dispensa apresentações), o destaque é para Persuason Theme composta por Phipps. A fotografia é de Ross Emery de “Doador de Memórias” (2014) e é soberba. Impossível é não associar o filme de Curtis a “Caçadores de Obras-primas” (2014) de George Clooney, que conta como algumas dessas obras de artes foram resgatadas, ainda durante a guerra. E em tempo: destaque para a interpretação de Helen Mirrem que é de uma dignidade memorável.

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O filme que conta história de uma das obras de artes de Gustav Klimt, trabalha brilhantemente o humano, da atrocidade à angústia, passando pela guerra de retóricas. Tecnicamente é lento  e se detém bastante no conflito do advogado – capitalismo X justiça – e ainda faz um atravessamento de gerações e suas raízes. Maria Altmann que tinha como lema “Seguir em frente” mantinha viva suas raízes, Randy que não as conhecia passou a defende-las e se deixar contaminar por elas; o austríaco Hubertus (Daniel Brühl) que se envergonhava de seu país e de sua participação em toda aquela barbaridade histórica passa a ter orgulho dele e de sua cultura, com o desfecho da situação.

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Em suma, o filme é daquele tipo que não deixa as mazelas da III Reich caírem no esquecimento. Sem muita contundência, ele acessa os danos dos tentáculos nazistas em outra esfera da vida dos que passaram por suas garras, o da preservação de memória. Vale o ingresso.

Obs: O “Retrato de Adele”, hoje, está na Neue Gallery,  na esquina da rua 86 com a Quinta Avenida, a poucos quarteirões do Museu Metropolitan em New York.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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