A Nona Vida de Louis Drax

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A Nona Vida de Louis Drax

Por | 2018-06-17T00:39:17-03:00 23 de outubro de 2016|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

A Nona Vida De Louis Drax (The 9th Life of Louis Drax) (Mistério/Thriller); Elenco: Aiden Longworth, Sarah Gadon, Aaron Paul, Jamie Dorman; Direção: Alexandre Aja; Reino Unido/Canadá/USA, 2016. 108 Min.

Adaptado do livro homônimo de Liz Jensen e com roteiro de Max Minghela “A Nona Vida de Louis Drax” desconstrói arquétipos, faz conexões inusitadas e muito bem vindas entre ciência e metafísica, apresenta diferentes pontos de vista de um mesmo fato e parte do nível de percepção de mundo de uma criança para contar uma história que versa sobre construção de personalidade a partir da criação, e desvios de personalidades a partir de traumas. O viés é a psiquê, a apegada é de análise, o fio condutor é o de uma investigação e a agulha que costura toda essa história são os machucados de uma criança de 9 anos.

117898-jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxLouis Drax (Aiden Longworth) é um menino que tem nove vidas e que partir desse raciocínio conta a história de seus machucados. A sua versão de como aconteceram e o que significaram. Até que, um dia, cai de um penhasco e fica entre a vida e morte, é seu nono machucado, sua nona vida. A abordagem inicial é da criança com a mistura característica de fantasia e realidade. Depois vem  a abordagem investigativa, há que se descobrir como e porque uma criança cai de um penhasco do nada; a terceira abordagem é a da ciência, a medicina e a psicologia associada à parapsicologia. Essa costura louca é feita misturando camadas, desconstruindo  arquétipos: toda mãe é boa, todo pai é distante, criança não mente…tudo o que é bonito é encantador. A forma visceral e sincera com a qual a criança enxerga o mundo e  que pessoa se vai criando através do tratamento cotidiano e da má gestão de traumas, na abordagem  é genial. O argumento da desconstrução é muito subjetivo e de difícil abordagem, e isso é sentido pelas arestas deixadas pelo roteiro no meio do caminho e pela necessidade das takes de fantasias inseridos na realidade. Numa metáfora belíssima da visão de mundo de uma criança.Mas, difícil de entender dessa forma.

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Alexandre Aja conhecido por “Amaldiçoados” (2013) está acostumado a fazer abordagens na seara do terror e mistério, mas misturar as fantasias infantis com uma realidade dura é diferente. E ele o fez muito bem (destaque para a cena da caverna). Todo mundo da equipe tem os dois pés no nicho do terror e do mistério e conseguiram fazer uma pintura do cotidiano de uma criança desprotegida muito fatual.O que nos faz pensar o quanto a realidade pode ser aterrorizante, naturalmente.

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Os destaques vão para o canadense Aiden Longworth que com 12 aninhos está em seu 15º trabalho entre o filme ” Hector e a procura da Felicidade” (2014), curtas e séries de TV e para Sarah Gadon de “Mapa para as Estrelas” (2014) que estão soberbos. A forma de condução da história também merece menção e se compara a “Garota Exemplar” (2014) devido as desconstruções de estereótipos, aos jogos de verdade e mentiras e às possibilidades de versões.

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Com a premissa nada é o que parece ” A Nona Vida de Louis Drax” tem um bom argumento e uma boa abordagem. O caminho tomado é que é difícil – o ponto de vista de uma criança. Inclusive, é possível compara-lo ao  “O Quarto de Jack” (2015) embora o roteiro deste seja muito mais enxuto e certeiro. Mas independente disso a dupla Aja e Minghela deram conta do recado. O filme é uma boa pedida para psicanalistas de plantão, mas é acessível a qualquer um que curta uma boa história.

 

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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  1. Rogerinho 11 de fevereiro de 2017 em 18:06 - Responder

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