‘A vida Invisível’ e as lentes de aumento do cinema

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‘A vida Invisível’ e as lentes de aumento do cinema

Por | 2019-11-21T14:45:37+00:00 21 de novembro de 2019|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

A Vida Invisível (Invisible Life) (Drama); Elenco: Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Julia Stockler; Direção: Karim Ainouz; Brasil/Alemanha, 2019. 179 Min.

Indicado do Brasil para representar-nos na festa do Oscar 2020 “A Vida Invisível” de Karim Ainouz é uma obra-prima no que diz respeito a abordagem sobre o patriarcado e suas consequências na vida das mulheres. Estrelado por Carol Duarte, mais conhecida pelas novelas brasileiras e em seu primeiro longa metragem para o cinema e, por Gregório Duvivier de “Portas dos Fundos” e “Greg News”, o longa é dirigido por um cineasta com uma trajetória bem consolidada no cinema brasileiro. Conhecido por “Madame Satã (2002), ” O Céu de Suely” (2008) e ” Praia do Futuro” (2014) Karim Ainouz rege uma orquestra harmoniosa entre atuações, roteiro, trilha sonora e fotografia. E, ainda tem participação mais que especial de Fernanda Montenegro e produção do ‘midas’ do cinema Rodrigo Teixeira de “Ad Astra” (2019).

O filme é baseado no livro de Martha Batalha “A vida Invisível de Eurídice Gusmão” que conta a história de duas irmãs, Eurídice (Carol Duarte) e Guida (Julia Stockler) que, separadas por suas escolhas, juntamente com os tentáculos de poder exercidos pela mentalidade de uma época, têm seus sonhos cerceados, seus planos de vida obstruídos, como se nem vida tivessem ou que, esta estivesse sob a tutela de alguém, ou seja, não lhes pertencessem. “A vida Invisível” nos convida a pensar no quanto de potencialidades femininas foram sufocadas, apagadas, abortadas ao longo da história da humanidade – independente da cultura – por uma sociedade patriarcal e/ou de mentalidade masculina. O longa leva para a mesa de jantar de depois da sessão, o machismo como prato principal. Traz possibilidades de ilações sobre o quanto vale o sonho de uma mulher e, sobre o que significa a trajetória de vida de uma mulher. Possibilidades de reflexões sobre a serviço de quem está a história de vida deste alguém que ‘não existe’ como alguém. E, ainda, nos faz analisar o potencial de muitas ‘ninguéns’. Nos faz refletir, também, sobre o quanto se perdeu/se perde em vida, em criação, em possibilidades de mudança no mundo quando sufocamos existências – neste caso femininas . Ao espectador é dado todo um contexto de conhecimento dos fatos e, mesmo assim, o roteiro ainda surpreende ao final.

“A Vida Invisível” recebeu diversos prêmios mundo afora. Entre eles: O ‘Um Certo Olhar’ no Festival de Cannes; o Câmera de Ouro no International cinematographers no Film Festival Manaki Brothers; Menção honrosa no Lima Latin American Film Festival; o CineCoPro award no Munich Film Festival e diversos prêmios no Valladolid International Film Festival. A obra é uma co-produção Brasil e Alemanha e tem na trilha sonora a assinatura de Benedikt Schiefer de “A Cidade Abaixo” (2010). A fotografia é de Hélène Louvart de ” Família Submersa” (2018). Porém, o que destaca mesmo é roteiro escrito por Murilo Hausen.

Essa pérola do cinema nacional está disputando uma vaga à indicação de melhor filme estrangeiro no Oscar 2020 com tantos outros filmes, tão bons quanto, de tantos outros países que, mesmo que não cheguem à lista final já têm suas histórias alavancadas para o mundo. Agora, é assistir ao filme, conversar sobre suas questões – esse é um dos objetivos do cinema – e torcer. Que vengan los Hermanos!

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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