A Vingança Está na Moda

>>A Vingança Está na Moda

A Vingança Está na Moda

Por | 2018-05-31T16:01:10-03:00 18 de maio de 2016|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

A Vingança Está na Moda (The Dressmaker). (Drama); Elenco: Kate Winslet,  Liam Hemsworth, Judy Davis; Direção: Jocelyn Moorhouse; Austrália, 2015. 118 min.

Dentre os trabalhos de Kate Winslet na temporada 2015 está “A Vingança Está na Moda” de Jocelyn Moorhouse. Uma história de acerto de contas que se passa numa cidade interiorana da Austrália, na década de 50, e que lembra as pequenas vilas do velho oeste americano cujas garruchas foram trocadas por línguas afiadas, os cowboys por matronas maldizentes e o tiroteio é de calúnia, injúria e difamação. Com pitadas cômicas que misturam amor, alta costura e vingança, o filme é uma boa reflexão sobre o poder de grupo.

the-dressmaker-poster-354x520

Baseado no livro de Rosalie Ham, dirigido por Jocelyn Moorhouse e roteirizado por ela e por P.J. Hogan, “The Dressmaker” (no original) conta a história de Myrtle Dunnage (Kate Winslet) que fora expulsa da cidade quando criança, acusada de matar um coleguinha de escola. Após décadas, retorna como uma mulher sedutora é bem sucedida, muito bem vestida (uma metáfora de exteriorização) disposta a descobrir a verdade e dar o troco; ou conquistar aquelas pessoas de alguma forma, convencendo-as de seu equívoco, ou seja, em alguma medida disposta a perdoar. O que se vê a partir daí é uma história humana no sentido da ingenuidade e da malevolência, misturada ao movimento do cotidiano e das relações que nele se estabelecem.

def0850

O que se destaca na obra cinematográfica são o figurino de Marion Boyce de “Crocodilo Dundee em Hollywood” (2001) e de Margot Wilson como uma metáfora de exteriorização do que se é sem contudo significar mudança, só verniz; e o roteiro que faz um trançado belíssimo de subjetividades: sobre o que se é,  sobre a inviabilidade de se conquistar quem não quer ser conquistado, sobre a impotência da lógica no convencimento de quem não quer ser convencido, sobre a impossibilidade de se transformar o outro naquilo que o outro não é. Tem também uma fotografia potente que enfatiza o contraste entre o polimento e a rusticidade, assinada por Donald McAlpine de “Moulin Rouge” (2001); a trilha sonora que contextualiza e suaviza ao mesmo tempo de David Hirschfelder de “Elizabeth” (1998) e “Shine” (1996) – pelos quais foi indicado ao Oscar – e a atuação espetacular de Judy Davis. Por conta disso abocanhou prêmios nos principais festivais de filmes da Austrália: no Australian Film Critics Association 2016 (melhor atriz, melhor ator/Hugo Weavering, melhor atriz coadjuvante/Judy Davis, melhor roteiro); no Australian Film Institute o AACTA  people’s choiçe Awards; no Australian Screen Sound Guild. Melhor mixagem de som; e por aí foi.

Article Lead - wide1001132269gjzndqimage.related.articleLeadwide.729x410.gk1qlp.png1444357658273.jpg-620x349

Em suma, o longa-metragem é de um viés extremamente realista, embora passeie pela seara do romantismo. No melhor estilo velho oeste revisitado e repaginado por mulheres maldizentes traça um painel apocalíptico da civilização em relação ao poder de grupo. “A Vingança está na Moda” é uma história corriqueira muito bem contada pela diretora e roteirista Jocelyn Moorhouse de “A Prova” (1991) que lembra um pouco a obra de Jorge Amado “Tieta do Agreste” (1977) numa versão australiana embalada para exportação. E serve ainda, para refletir sobre as agremiações, seus poderes espúrios e sobre a calúnia e sua função social. É uma boa pedida para quem gosta de uma boa história com nuances de divertimento e de ver a Kate Winslet, é claro. Vale o ingresso.

vinganca

 

 

 

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

Deixar Um Comentário