Cinquenta Tons de Cinza

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Cinquenta Tons de Cinza

Por | 2015-02-12T18:37:37-03:00 12 de fevereiro de 2015|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey). (Drama/Romance); Elenco: Dakota Jonhson, Jamie Dornan, Jennifer Ehle; Diretora: Sam Taylor-Johnson. EUA, 2015. 125 Min.

Sexo vende! Baseado no livro homônimo de Erika L. James, que conta a história de uma de suas aventuras sexuais vividas na juventude, “Cinquenta Tons de Cinza”, estreia nos cinemas com uma propaganda vultosa, e com promessa de sexo quente no circuito,  mais intenso que o normal e menos explícito que o nicho pornô, o hoje denominado, “Soft Porn”.  Como devíamos saber,  a propaganda é a alma do negócio. E nisso “Cinquenta Tons de Cinza” está de parabéns. Mas,  é só nisso mesmo.

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O Filme de Sam Taylor-Johnson conta a história do encontro de  Anastácia Steele (Dakota Johnson) e  Christian Grey (Jamie Dornan). Ela, uma estudante de literatura que vai fazer uma entrevista com um empresário, para ajudar uma amiga jornalista que está doente e não pode fazê-la. Ele, o empresário, jovem (27) e dono de um império. E  partir dessa entrevista os encontros se dão e mais nada. Tudo vem do nada, os esbarrões, os diálogos. Tudo é gratuito. Os romances de banca de jornal das décadas de setenta e oitenta, “Julia” e “Sabrina” tinham mais conteúdo.

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Para fazermos uma comparação, o ano passado Lars Von Trier “causou” com seu “ninfomaníaca”, que tinha estória, fazia costuras entre o ser social e ser sexual, tinha assunto, falava dos desvios: incesto, pedofilia, ninfomania, assexualismo e sadomasoquismo. Decepcionou uma grande maioria porque, possivelmente, pelo título, se esperava um “quase pornô”. E foi um relato incômodo em uma área ainda intocada nas conversas. Desvios não são aceitos, sequer cogitados como existentes. “Cinquenta Tons de Cinza” talvez tenha querido falar de desvios. Mas não conseguiu. Essa não é a proposta da obra na qual se baseia, nem a intenção. O filme tem um enredo que se perde, insere algumas falas de Christian concernente à sua infância e orfandade, sobre alguma experiência sexual na adolescência, mas fica por aí. Não se pretende buscar respostas para um indivíduo que aos vinte e sete anos, sem se conhecer ainda, tenha aversão a afeto, porque essa é a questão.  A história não explica como o Sr. Grey chega a um barzinho onde sua presa se embriaga. Os diálogos são rasos, o jogo de sedução é pobre e desprovido de inteligência e  deixou mesmo a desejar. Inclusive se o objetivo foi acirrar o desejo, nem para isso funcionou, “Ninfomaníaca” e “Interior Leather Bar” são melhores nesse quesito.

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Quanto aos aspectos cinematográficos. A trupe que deu conta do trabalho é um grupo de mulheres. A começar pela diretora, Sam Taylor-Johnson, de “O garoto de Liverpool” (2009) e “Love you more” (2008), que são seus filmes mais proeminente, com indicação ao BAFTA e a Cannes. Érika L. James é a escritora que conta sua história no livro homônimo e que foi roteirizado por  Kelly Marcel, de “Walt nos bastidores de Marypoppins” (2013). É protagonizado por Dakota johnson, filha do eterno Miami Vice Don Johnson e Melanie Griffthi, conhecida por “Anjos da Lei” (2012) e  “A rede social” (2010), e que faz o papel de gata borralheira boba e encantada, a presa fácil, o Bambi na floresta. O bendito fruto dentre as mulheres é Jamie Dornan (Mr. Grey) que fez “Maria Antonieta” (2006) e encarna um papel muito forte para sua atuação de menino mimado, sem sex apple e com gostos “peculiares”. Agora, não existe nada nessa vida que seja cem porcento bom ou cem porcento ruim. Então os aspectos positivos  vão para fotografia e trilha sonora. Na fotografia Seamus Mcgarvey  de “Precisamos falar sobre Kevin” (2011) e “As horas” (2002) faz um trabalho bacana, merecendo destaque a cena em as paredes choram com a sombra da chuva que cai, na cena da decepção. E na trilha sonora, um presentinho para nós brasileiros, A bachiana nº 5 de Heitor Villa-Lobos interpretada por Bárbara Hendricks. Esse sim, um momento de êxtase. Ela embala a cena de apresentação de casa de Mr. Grey para Anastácia, além de Beyonce e Frank Sinatra.

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Como uma obra cinematográfica o motivo de produção é explícito, única e exclusivamente, ganhar o vil metal. Isso Érika L. James aprendeu com Mr. Grey. No restante, não acrescenta nada em termos artísticos ou de reflexão que valha ser registrado, e possivelmente, nem o ingresso. Até como curiosidade, acerca das cenas mais “calientes” ele é fraco e todas elas são gratuitas. Mas a propaganda, sim. Essa merece um prêmio. Numa palavra? Vazio.

 

Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos em relação a indícios de mentalidades, nível tecnológico e momento histórico.

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  1. Maisa 14 de fevereiro de 2015 em 16:00 - Responder

    Realmente, descreveu tudo do jeito que eu penso. As cenas que estavam na propaganda não estão no filme. Propaganda enganosa! Filme fresco, abordando uma jovenzinha virgem em busca do homem encantado. Até nisso o filme tenta mostrar, o homem perfeito. Parece um Crepúsculo 2.0, apenas. Muito superficial o filme, todos esperavam mais.

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