De volta ao jogo

De volta ao jogo

Por | 2018-06-16T23:41:48-03:00 1 de dezembro de 2014|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

De volta ao jogo. (John Wick).  (Ação); Elenco: Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe; Diretor: Chad Stahelski, David Leitch; USA/Canadá/China, 2014. 101 Min

Como ver um filme que não tem história? O que falar de um filme sem história? Pois é, casos como esses nos força a perceber outros aspectos da produção cinematográfica e buscar o que esses outros aspectos nos falam, a quem possivelmente se dirige e para quê,  para se ter uma mínima condição de emitir um juízo de valor. Esse, provavelmente, é o caso de “De volta ao jogo” de Chad Stahelski   e David Leitch, com Keanu Reeves.

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O recorte da obra é  um período de , aproximadamente, uma semana na vida de John Wick, um ex-matador que abandona a vida de gangster depois de encontrar um sentido mais amplo para vida, o amor. Após o falecimento natural de sua mulher, a perda do cãozinho, presente da amada, e a destruição de seu carro,  a semana de vingança de John Wick o leva de volta à vida pregressa. O mote do filme, possivelmente, é o de cogitar do que é capaz alguém que não tem mais o que perder, e fazer uma viagem pelos extremos, entre o cultivo do lado civilizado e a manutenção do equilíbrio emocional entre o homem sensível e o homem “animal”. Mas a imagetização disso não convenceu, embora se perceba seu viés, e até seja parte de uma diálogo. O tempo de adrenalina e de baixa da emoção para entrar na linha de sensibilidade mais tênue, aparentemente, não funcionou.

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Os aspectos que se impõem no filme são da ordem da tatibilidade: o ritmo, a trilha sonora, as angulações dos takes e a fotografia. Por eles se pode “tirar leite de pedra” na análise de “De volta ao jogo”. A fotografia marca o tom emocional da personagem e dos ambientes. E essas variações ocorrem na boite, na sauna, na discoteque e casa de John Wick . A trilha sonora é a  grande condutora da ação, é ela quem anuncia o que vem e só falta falar com o espectador. Assinada por Tyler Bates de “300” e “Guardiões da Galáxia” e Joel J. Richard de “identidade Bourne” é quem tenta prenunciar ao espectador o que acontece por dentro de John Wick. É excelente! As angulações dos takes são outro prêmio, desde os closes, durante os atos de pura violência aos takes mais panópticos, muito comuns no “Homem Aranha” e que “empodera” o espectador. Esses aspectos artísticos fazem a graça do filme, No mais, é um desfile de carros, armas e mulheres. Um festival de tiros, facadas, violência e muito sangue. E nessa linha, deixa “3 dias para matar” de Luc Besson no chinelo, só não perde para os “Mercenários 3” de Patrick Hughes com seus doze minutos de bombardeios ininterruptos.

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Em relação a produção, direção, elenco e afins, a coisa fica interessante, o produtor executivo mais proeminente é mesmo Keanu Reeves e dentre eles tem ainda Eva Longoria de “Desperates Housewives”. Os diretores Chad Stahelski e David Leitch são oriundos do mundo da luta (kick-boxing) e dublês profissionais, onde têm uma carreira admirável e profícua com dezenas de filmes, mas como diretores é a primeira experiência. Quanto ao protagonismo, ter Keanu Reeves de “Matrix”, “Constantine” e “O advogado do diabo” como ator principal é chamariz para público com certeza, e somando-se a isso, o cara também tem experiência com lutas marciais, o que facilita a atuação. Quanto ao roteirista?! bem, é seu terceiro roteiro e sua senda é a ação, como  “One in the Chamber” e “The package”  sem muito argumento ou reflexões.

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No mais, o forte do filme é a sensorialidade: as cores, a música e ritmo, não esquecendo que o tema é violência. logo, é para quem curte o estilo “Duro de Matar”. Ou para quem queira viver uma experiência sensorial de altos e baixos e  descansar a máquina pensante, pois até deus descansou no sétimo dia, não é não?! Sem esquecer que  tem todo o direito de existir, tem público que consuma o produto e foi feito mesmo para ganhar o vil metal. Já que democracia foi feita para usar… há espaço para todo mundo, afinal o que seria do azul se todos gostassem do amarelo? 🙂

Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos em relação a indícios de mentalidades, nível tecnológico e momento histórico.

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