Grace de Mônaco

Grace de Mônaco

Por | 2015-10-27T02:17:58-03:00 27 de outubro de 2015|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Grace de Mônaco (Grace of Monaco). (Biografia/Drama/Romance); Elenco: Nicole Kidman, Tim Roth, Frabk Langella, Paz Vega, Robert Lindsay, André Penvern; Direção: Olivier Dahan; França/USA/Bélgica/Itália/Suíça, 2014. 103 Min.

Depois de “Diana” (2013)  de Oliver Hirschbiegel que conta os últimos anos de vida da princesa de Gales, temos uma  outra biografia de realeza, também mulher, também plebéia e que partiu para a outra dimensão da mesma forma trágica. Trata-se de Grace Kelly, a princesa de Mônaco. Usando um recorte menor de tempo (1961/1962) e sem ter a intmidade como eixo principal, o roteirista Arash Amel apresenta ao mundo sua homenagem e seu recorte de memória da princesa de Mônaco, com “Grace de Mônaco”.

grace-of-monaco-poster

O contexto é o do embargo do, então presidente francês Charles de Gaulle, ao condado de Mônaco, quando da guerra da Argélia, exigindo que Mônaco pagasse impostos à França. As crianças: Carolina e Albert, ainda pequenos; o convite de Alfred Hitchcock para que Grace atuasse  em seu filme seguinte são os nós que Arash Amel usou para fazer um passeio pela relação, ou o que se pode dizer dela, entre Rainier e Grace;  O cotidiano das crianças em meio a negociações e intrigas palacianas, a pressão política feita por Paris e  a participação de Grace, como figura pública, no desenrolar da questão são a continuação da tessitura dessa rede. Arash ainda aborda, pela tangente, o processo de adaptação e adequação da atriz plebéia ao seu mais novo e importante papel/atuação, a de princesa de um condado.

641-grace-nicole-monaco-filme

Olivier Dahan – diretor – foi indicado ao BAFTA por “Piaf: Um Hino ao Amor” (2007) e tem talento em abordagens biográficas. Arash Amel não é roteirista experiente, tem apenas 4 roteiros em seu curriculo mas mostrou classe na abordagem, deixando as futilidades e questões desnecessárias de lado e focando na memória de Grace como alguém mais que uma princesa que cumpria agenda de caridade. Embora superficial e meio voltado para a linha conto de fadas – lembrando sempre que é uma versão, um olhar sobre Grace Kelly e não ‘a verdade’ (se ela existir) sobre a persona da princesa – rende uma boa homenagem. O destaque dessa vez é para o figurino de Gigi Lepage que vestiu Catherine Deneuve em “A Vingança do Mosqueteiro” (2001).

7graceofmonaco04_600_600x450_f7d1d99bf0

Nicole Kidman, está primorosa no papel de Grace, e em alguns momentos lembra mesmo a princesa de Mônaco. Tim Roth fez o que pode para encarnar Rainier III. A graça do longa-metragem é trazer memória de figuras importantes que não temos tanto porque  lembrar, mas que estão lá e nos remetem a alguns momentos da história atual como: Aristóteles Onassis (Robert Lindsay) e Charles de Gaulle (André Penvern).Mas o primor foi inserir a relação de Grace com a espontânea  Maria Callas, interpretada por Paz Vega, e mais, colocar duas músicas na voz da diva: O Mio Babbino Caro de Giacomo Puccini e  Ebben? Ne Andrò Lontana de Illica e Catalani.

34654

“Grace de Mônaco” como história acrescenta pouco, cai no lugar comum, mas se destaca pelo recorte político. É um filme homenagem, com vistas a fomentar a memória de Grace Kelly com alguns vídeos pessoais de arquivo e uma produção cuja direção de arte e os diálogos e argumentos em relação ao contexto da época são muito bons. Mas se tiverem que julgar “Grace de Mônaco” o façam pela música, Jean Sibelius e Claude Debussy agradecem. Indicado ao Primetime Emmy Awards 2015 o filme poderia ser uma ópera agregando romance, drama e tragédia, mas não foi esse o objetivo nem a intenção. Para o que se propôs dá conta do recado.

Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

Deixar Um Comentário