Risco Imediato

Risco Imediato

Por | 2018-06-16T23:50:16-03:00 9 de abril de 2015|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Risco Imediato (Good People). (Ação/Crime/Thriller); Elenco: James Franco, Kate Hudson, Tom Wilkinson, Omar Sy; Elenco: Henrik Ruben Genz; Reino Unido/Suécia/Dinamarca, 2014. 90Min.

Mais um filme adaptado de uma obra literária. Dessa vez é “Risco Imediato”, baseado no livro de Marcus Sakey, intitulado  “Good People”. Trata-se de um filme policial com muita tensão, uma história linear e com recheio comum.

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O roteiro é simples. Um casal, Tom Wright (James Franco) e Anna Wright (Kate Hudson),  com problemas financeiros e que pretende constituir família, encontra seu inquilino Ben (Francis Magee), morto, e com ele uma sacola com duzentos e vinte mil libras. Sem saber que  Ben era um traficante e que uma quadrilha da pesada, a dos irmãos Witkowsky, já estava no encalço dos valores, os dois despistam o policial John Halden (Tom Wilkinson) e começam a gastar a grana. Quando percebem que viraram cúmplices e que pode ser tarde. A história versa mais sobre a ingenuidade, do que  sobre a engenhosidade dos meandros de defesa que são arquitetados para a manutenção da integridade física. “Risco Imediato” aborda a lógica simplista de quem vive uma vida comum. As cenas são violentas e tensas,  em visceral antagonismo com a vida pacata, lenta e sem frisson do casal Wright, que a fotografia acinzentada e a penumbra da casa, metaforizam divinamente. O que mantém a vida no filme é a tensão que é sustentada em um muito bom nível, até Henrik Ruben Genz, resolver esticar o prazer que estava muito bem temperado e desandar a massa do bolo.

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O dinamarquês Henrik Ruben Genz , que dirige o longa, foi indiciado ao Oscar nos anos 2000 por um curta metragem  e tem um trabalho muito local. Kelly Materson roteiriza a adaptação do livro e é conhecida por “Expresso do Amanhã”, pelo qual ganhou prêmios da crítica de Ohio e Utah e o INOCA (International Online Cinema Awards). Os brilhos mais fulgurantes são a trilha sonora de Neil Davidge, de “Gomorra”, produção italiana que foi indicada ao Globo de Ouro 2009 de melhor filme estrangeiro; a fotografia do, também dinamarquês, Jorgen Johansson, que metaforiza a energia dos ambientes com os tons dados ao plano,  cuja filmografia é extensa e muito regionalizada; e o francês Omar Sy, o doce Driss de “Intocáveis” que está irreconhecível no papel do truculento Khan. Esse sim, com um currículo respeitável de premiações, produções a atuações, principalmente para a TV. Colocando na conta James Franco, indicado ao Oscar por “127 horas”,  Kate Hudson, também indicada ao prêmio por “Quase Famosos” e Tom Wilkinson, indicado duas vezes por: “Conduta de Risco”  e “Entre Quatro Paredes”, o filme é um mural de indicados e um prato do dia-a-dia.

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Para fechar, “Risco Imediato” se pretende um filme de ação, mas está mais para os filmes mastigados da conhecida “tela quente”. Levanta bastante poeira, faz sua graça, mas ainda penso que o filme era sobre as armadilhas em que caem gente boa e ingênua, como o título do livro insinua. A pegada que vale a pena é a tensão e só.

Sobre o Autor:

Crítica cinematográfica, editora do site Cinema & Movimento, mestre em educação, professora de História e Filosofia e pesquisadora de cinema. Acredito no potencial do cinema para fomentar pensamento, informar, instigar curiosidades e ser um nicho rico para pesquisas, por serem registros de seus tempos em relação a indícios de mentalidades, nível tecnológico e momento histórico.

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