Truman

Por | 2018-06-17T00:18:48-03:00 19 de abril de 2016|Crítica Cinematográfica|0 Comentários

Truman (Comédia/Drama); Elenco: Ricardo Darín, Javier Cámara, Dolores Fonzi; Direção: Francesc Gay; Espanha/Argentina, 2015. 108 Min.

Ganhador de 26 prêmios mundo afora, dentre eles: 5 Goyas (melhor ator, ator coadjuvante, roteiro original, diretor e melhor filme) e outros 5 nas mesmas categorias no Cinema Writers Circle Awards Spain (2016), e duas conchas de prata no San Sebastian para Ricardo Darín e Javier Cámara, além de outras 20 indicações; “Truman” conta a história de um paciente de câncer que após um ano de tratamento resolve interrompe-lo, aceitar a realidade e organizar seu espólio, só que este é  afetivo, e o inusitado está aí. Francesc Gay (diretor e roteirista) e Tomás Aragay (roteirista) fazem desse momento, que deveria ser triste e pesado, uma saga de aceitação, de conquistas, de aprendizados…de amor. Tudo isso com muita leveza e muita graça.

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Julián (Ricardo Darín) é um homem solitário com seu cão Truman (Troilo) que decide aproveitar o tempo que lhe resta após a desistência de um tratamento médico. Sua preocupação maior é: Quem vai ficar com Truman, um bullmastiff que é seu companheiro, uma espécie de extensão de sua alma. Diante da decisão de Julián, a família se mobiliza para convencê-lo do contrário. E sua prima, no Canadá, envia o marido Tomás (Javier Câmara) para a Espanha, afim de demovê-lo da ideia. Tomás é seu melhor amigo e com ele Julián tem afinidade e intimidade, e aproveita a circunstância e usa e abusa delas, numa divertida empreitada para encontrar um novo dono para seu cão.

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Ao contrário de “Já Estou Com Saudades” que versa sobre o mesmo  tema em forma de desabafo e num tom de revolta, num humor negro muito bem costurado; “Truman” é a arrumação de sentimentos e  emoções com muita graça. Tecendo a forma com a qual Julián gostaria de ser lembrado. É uma despedida cônscia e natural, dentro do possível, para um fato consumado. O Longa de Sec Gay (como é conhecido) é o empoderamento da finitude numa aceitação factual gostosa e sem angústias.

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Ricardo Darín, ator argentino conhecido e reconhecido pelo seu talento, para variar, está estupendo nessa produção espanhola e argentina. E juntamente com Javier Câmara, ator espanhol de “Fale Com Ela” (2002) de Pedro Almodóvar, batem um bolão, numa química e tanto. O roteiro é de Tomás Aragay de “O que os Homens Falam” (2012), e é a cereja desse manjar existencialista. Outros destaques vão para a fotografia de Andreu Rebés, que teve seu trabalho em Truman” indicado ao Gaudé Awards; e a edição de Pablo Barbieri Carrera de “Relatos Selvagens”.

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Para fechar, “Truman” é uma grata surpresa na forma de contar uma história que tem como argumento a morte. Pela sua abordagem realista e doce e pela capacidade de nos fazer rir nestas circunstâncias com muita naturalidade. “Truman” é tipo de filme para se ter em casa para assistir de vez em quando.

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Sobre o Autor:

Editora do site Cinema & Movimento e crítica cinematográfica

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